Auto-retrato

 

Por preguiça ou força do destino demorei a nascer. Finalzinho de libra, já quase escorpião. 21 de outubro de 1960. Londrina, norte do Paraná, onde um dia o ouro verde das terras lhe fez a capital do café. Sou pé vermelho, como se diz por aqui e isto por força da forte cor que vai ao solo. Terra roxa e fértil.

A literatura veio cedo através das histórias e lendas que recheiam a humanidade. Com o tempo descobri palavras para brincar e construir. Da minha caverna ouvi, primeiro, sons de poesia. Davam sinais de liberdade. Libertei a poesia e muito escrevi e escrevo. Gosto de poesia simples, de coisas simples e palavras simples. Sem labirintos e mistérios.

No ano de 2003, a Lizete Mercadante me avisou para também libertar a prosa. Segui o conselho e libertei toda a literatura que oxigena minha selva interior. Assim, já coleciono poesias, prosas, romances e até o resgate da memória literária de Londrina, terra de berço, de 1929 a 1984. Sim, resgatei e escrevi a história da literatura de ouro verde, Londrina.

Na década de 1980, alguns dos poemas infantis foram publicados no Suplemento Infantil da Folha de S.Paulo, e hoje reunidos em coletânea estão no site www.supercharge.com.br, o Balaio de Gato. Alguns contos esparsos aqui no www.ocaixote.com.br, e também no www.blocosonline.com.br. A coletânea Solidão com doces reúne poemas da primeira fase deste solitário ofício, feitos há mais de 20/25 anos. Escrever é um ato de ação, movimento; solitário, porém, tal qual a vida de uma ostra. Alguns dos poemas, como Solidão, Poema de Amor e Doces são responsáveis pelos prêmios conquistados aqui em Londrina, no Estado do Paraná, no Femup – Festival de Música e Poesia de Paranavaí e, em dezembro de 2003, o Prêmio Barueri de Literatura.

Por preguiça ou força do destino demorei a liberar minha literatura. Mas agora, aos poucos ela avança, firme e segura, até as últimas conseqüências.