|
PÍCCOLA GALLERIA |
|
|
|
Na década de 40, os escritores de São Paulo filiados à ABDE (Associação Brasileira de Escritores) organizavam caravanas e iam às cidades do interior do Estado de São Paulo levar o estímulo ao interesse pelo saber. Criavam centros culturais, incentivavam os escritores locais, sugeriam melhorias municipais para incrementar a cultura, entre outras atividades locais. Numa dessas excursões, Lourival Gomes Machado, crítico de artes plásticas, descobriu um pintor de especial talento. Porteiro de modesto hotel, antes camponês e trabalhador em cafezais, José Antonio da Silva não tardou a ganhar renome internacional. D. Cândida nasceu em Niquelândia (antiga São José do Tocantins) e foi criada em Uruaçu. Perfeitamente goiana. Há 31 anos mora em Brasília e há 26 toma conta da casa e do atelier de Athos Bulcão, o artista consagrado que muito colaborou para o embelezamento de Brasília. O convívio laborioso e diário com Athos levou D. Cândida a interessar-se pela pintura. Escondida, fez algumas máscaras femininas quando mestre Bulcão realizava suas máscaras masculinas. Athos as viu, divertido com a descoberta. Daí em diante, D. Cândida começou a pintar seus quadros e Athos Bulcão deu-lhe seu apoio. Duas exposições já a revelaram para o público de artes plásticas do Distrito Federal. Fui ver agora os quadros que compõem a sua terceira exposição. Admirei na artista, principalmente, a criação da claridade. É notável a sua preferência pelas cores claras, que nos dão impressão de pureza e singeleza. Boa parte de seus quadros fez-me pensar no verso de Hermes Fontes, que nos diz: “A poesia é uma segunda infância”. Infância e poesia são realmente os pensamentos que brotam em nós ao vermos os quadros de D. Cândida. A temática religiosa predomina na coleção de pinturas. Os temas bíblicos são os que mais se mostram. Os relatos bíblicos feitos com simplicidade pela mãe da pintora – adventista – à filhinha sensível, deixaram sua marca. A série do Apocalipse apresenta um tom dramático, mas, com tão feliz criatividade, que não desfaz o triunfo da serenidade. Serenidade que aparece que aparece bem na pintura de flores: quadros sobre lírios e tulipas. E, neste ponto, vou finalizando estas impressões de poeta (não de crítico de artes plásticas, que não sou), mas de poeta que se sente muito afim com as artes plásticas, especialmente com a pintura. Por este motivo, já escrevi poemas sobre Braque, Bonnard, Brancusi, Vicente do Rêgo Monteiro (querido amigo) e José Antonio da Silva, o excelso naïf da mesma corrente de Cândida X. Costa. Corrente em que se sobrepõem o natural, o espontâneo e o individual. Um quadro como “David Pastor e Suas Ovelhas”, de D. Cândida, revela-nos a presença da Poesia na Pintura. Cassiano Nunes |