PíCCOLA GALLERIA


Rui Faquini

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A China num piscar de olhos 
 
Desde menino, tenho uma enorme curiosidade pela China, que considero a mãe de todas as histórias com sua inesgotável história... Inesgotável, aliás, é tudo lá. Quando cheguei a Beijing (a convite do Comitê Organizador do "Photographers of the World Focusing on Beijing"), ao conferir minhas expectativas, me senti como se de repente tivesse diminuído drasticamente de tamanho, já que tudo a
minha volta era descomunal. À medida que ia tomando contato com a nova realidade, meu senso de escala ia entrando em colapso e desenvolvi um certo pânico, medo de que isso afetasse meu senso de observação e conseqüentemente o resultado do trabalho que tinha ido executar. Como seria possível em apenas sete dias
fotografar o que tinha como sugestão de pauta: 

-   um sítio histórico que era uma montanha com milhares de abrigos escavados em suas escarpas; 

-   a tumba de um imperador Ming; 

-   uma muralha com 5.400 km de extensão; 

-   as ruínas de um palácio que demorou três dias e três noites para ser destruído, em 1876, com fogo e bombas pelos exércitos da França e da Inglaterra combinados; 

-   o novo Palácio de Verão, cujo tamanho total é de 293 hectares; 

-   a praça Tiananmen que pode abrigar com folga mais de um milhão de almas; 

-   a Ópera de Pequim; 

-   os espetáculos de acrobacia; 

-   a Cidade Proibida, a qual você pode visitar em apenas meio dia se andar sem parar; 

-   avenidas monumentais; 

-   parques milenares, onde em cada canto tem algo que é único; 

-   os mercados; 

-   o artesanato mais exótico, as sedas, as cerâmicas etc. etc.... 

-   e o povo! 

Bem, não me deixei abater e tentei! Foram mais de três mil clics fazendo uma tremenda economia de filmes. As fotos aproveitáveis são quase como as de um turista apressado, com boa técnica... 

Em suma, a única certeza que eu trouxe da China é a de que preciso voltar lá muitas vezes para, quem sabe um dia, fazer algum trabalho mais denso acerca desse povo extraordinário, que sofreu durante milênios as mais atrozes invasões e que me pareceu estar se preparando, a toque de caixa, para a próxima grande e talvez última dessas invasões: a way of life ocidental. 
 

               Rui Faquini, junho de 2000

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