PÍCCOLA GALLERIA

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Arte em Mármore e Granito: A musa que virou Mosaico
 

A palavra mosaico vem do latim 'musa' que também proporcionou museu e música. Há muitas maneiras de realizá-lo, mas o artista plástico Gougon  preferiu o modelo antigo, seguindo a tradição do “opus tesselatum” romano,  que consiste no corte de  tesselas (pequenos cubos) de mármore e granito em dimensões reduzidas para confecção de suas peças.

O elenco de possibilidades para o emprego de mosaico é vasto, a maioria delas associada à arquitetura e decoração. São ícones, faixas de piso, monolitos,  aparadores, quadros, tapetes, soleiras, bancos, espelho de escada, e outras peças balisadas apenas pela criatividade do artista.

Devotado há mais de sete anos ao estudo, pesquisa e produção de mosaico, Gougon desvenda um caminho próprio fazendo uma releitura da arte musiva para valorizá-la através do emprego de ferramentas  modernas no talhe e na fixação das pedras.

Estudioso do assunto, investe no potencial proporcionado pela arte, avaliando que há espaço garantido no Brasil para a ocupação do mercado, muito além do que o simples modismo parece indicar. Neste sentido, observa que a arte do mosaico foi introduzida no país pela Imperatriz Teresa Cristina, mulher de Dom Pedro II. Era uma princesa napolitana, filha do Rei das Duas Sicílias. Enquanto cuidava das filhas (além da Princesa Isabel, Dona Teresa Cristina teve duas outras meninas que cresceram e casaram-se com príncipes europeus), cobria os bancos e fontes do Jardim das princesas, no Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, com caquinhos da quebra do serviço de chá da Casa Imperial. Apesar de muito danificados pelo tempo ainda podem ser apreciadas no local. A Imperatriz empregou a técnica de embrechamento para colocação das peças cerca de 50 anos antes de Gaudi recorrer aos azulejos quebrados para revestir suas obras em Barcelona.

A  partir de Brasília, onde habita desde a década de 60, Gougon dignifica a arte do mosaico de forma apaixonante, lembrando que o país também tem seus ícones de reconhecimento internacional, como o calçadão de Copacabana, que se tornou um logotipo internacional do bairro. Já estava ali nos albores do século XX, tendo testemunhado a passagem dos 18 do Forte, no levante dos tenentes em julho de 1922.

Assim como muito outros artistas do passado, Gougon também começou seu caminho nas artes através da charge e da caricatura, com as quais ganhou destaque em Brasília no período de resistência à ditadura, com quatro livros publicados . Cursou a UnB na segunda metade dos anos 60, formando-se em jornalismo. A ela retornou nos anos 80 para fazer diversos cursos de formação artística, especialmente gravura em todas suas expressões. Mas é o mosaico com mármores e granitos a que se entregou  a partir dos anos 90, expondo seu trabalho em feiras, galerias, mostras coletivas e individuais. Seu trabalho desdobra-se em dois espaços - uma oficina para corte de pedras, situado próximo ao Jardim Botânico, e um atelier para montagem das peças, em plena Avenida W-3 sul de Brasília.

Aos 54 anos, casado e pai de dois filhos, o artista encontra-se numa fase de maturidade de sua vida e de sua obra, voltada agora para painéis figurativos e abstratos, os primeiros retratando personagens da vida da cidade.