PÍCCOLA GALLERIA

 

JARDINS
DE AGOSTO

.

ÚTEROS
TOTÊMICOS
 

CABEÇAS
 

FRAGMENTOS



.

Nascida no Rio de Janeiro, descende de italianos e alemães escultores e músicos.  Formada em Música, lecionou piano, história da arte e percepção musical para crianças a partir de 1957.  Em 1963 conclui o curso de Direito, vindo a obter o diploma de mestrado em “Arts & Sciences”, com ênfase nas áreas de Administração Legislativa e da Ciência Política, pela Universidade de Nova Iorque, em Albany, New York.

Graças às atividades dos pais viveu mais de 5 anos na Europa  e  mais
outro  tanto nos Estados Unidos (em companhia dos três filhos).  Essa permanência no exterior e as diversas viagens pelo mundo, deram-lhe não só desembaraço em cinco idiomas, como lhe permitiram o estudo das obras dos grandes mestres do passado e reconhecimento dos novos talentos modernos.

Concursada da Câmara dos Deputados, aí permaneceu por mais de 25 anos, realizando pesquisas sobre o Legislativo, para a “Research Foundation of New York”, a “American Society for Public Administration”, outros organismos internacionais e para mais de 15 Grupos Interparlamentares aos quais prestava seu assessoramento.  Dessa época resultaram condecorações e bio-bibliografias em Enciclopédias de países como: Canadá, Estados Unidos e França.

Sua essência artística voltou-a para o pictórico, em reencontro após mais de 20 anos de interrupção. Assim, já na década de 1990, inteiramente voltada para essa arte, foi convidada a integrar o “Grupo Todos de Bem”, com a esperança comum a todos de que das artes parta um grande movimento solidário de união e amor para o bem das futuras gerações  e da Sociedade  em geral. 

Lourenço de Bem Bianchetti


 
EXPOSIÇÕES

2001

- Museu do I Reinado (Casa Marquesa de Santos) – Artista Convidada – Rio de Janeiro/RJ 
- “Grupo Encáustica do Brasil” – Artista Convidada – Espaço Cultural 508 Sul (Galeria Parangolé) – Bsb/DF
- “41 x 41” – Secretaria Cultura GDF – Aniversário 41 Anos da Cidade – Bsb/DF
- XII Salão Clube Internacional (Artista Convidada) – Visual Galeria de Arte – Bsb/DF 
- “Brasil Contemporâneo” – Museo de Arte de Barcelona – Barcelona/España (Set.2000 a Fev.2001)

2000

- “Grupo Huah de Brasilia”  - Artista convidada – New York/USA 
- “Memória do Tempo: Cabeças e Fragmentos” – (INDIVIDUAL) – Esp. Cult. Marlene Godoy – Lago Sul
- "Sete Escultores de Brasília" - Univ. Fed. Viçosa/Prefeitura Municipal de Viçosa/MG (DOAÇÃO)
- "Exposição Internacional de Arte Contemporânea" - Museu de Arte Moderna - Sintra/Portugal e Palácio Sermadiras -  Paris/França
- I Salão Internacional de Arte (Classif.) Campos de Jordão - Prefeitura Municipal de Cpos.Jordão/SP 
- "Mulheres em Movimento" - Nação Pernambuco e Carnaval do Brasil - Bsb/DF
- Homenagem Athos Bulcão/Aniversário 40 Anos de Brasília - "Athos Criativos" - CNB - Bsb/DF
- Salão Internacional do Petit Format - Galérie Brésil - São Paulo/SP 
- V Salão Arte Iate Clube (Prêmio: MENÇÃO HONROSA) - Bsb/DF
- Dia Internacional da Mulher - Pça. Das Artes - CNB, 2º piso "Mulher: Neurônios e Hormônios" - Bsb/DF
- Dia Internacional da Mulher - Biblioteca do Senado Federal - Brasília/DF "500 -Anos de Lutas e Conquistas"
- Homenagem à Mulher - Auditório Tancredo Neves - Congresso Nacional - Painel: "Mulher e Poder"
- Centre d'Activités Sport.et Culturelles et Galérie Artitude - Paris/France - "Carnival du Brésil à Paris"
- Basilica del Convento de San Francisco de Asís - La Habana/Cuba "Ier Salón Internacional de Artes".

1999

- Pça. Artes - CNB - 2ºPiso A - "Arte do Detrito"  e  "Viagem com Bagagem Rumo a 2000"- Bsb/DF
- “Millennium” Galerie Debret – Paris/France (Nov.9 a 26)
- “Millennium” Galeria Candido Portinari – Embaixada do Brasil – Roma/Itália (Nov. 15 a 25)
- Centro de Vivência - Univ.Fed. de Viçosa - "Terra Brasilis/Terra Papagalli" (500 Anos) - Viçosa/MG
- Salão do Petit Format – Galérie Brésil – Centro de Convenções Rebouças – São Paulo/SP
- Sala Martins Penna - Teatro Cláudio Santoro - Bsb/DF "Terra Brasilis/Terra Papagalli" (500 Anos)
- “Mulher-Criação” Dia Internacional da Mulher – Pátio Brasil – Bsb/DF  (Março/1999)
- “X ExpoArtes Clube Internacional” Clube Internacional de Bsb – Academia de Tênis – Bsb/DF
- “Abstrações & Anima” Hall das Comissões – Senado Federal – Congresso Nacional – Bsb/DF 

1998

- “Germinação, Florescência e Decomposição” XIII Aniversário Jardim Botânico – Brasília
- “Brasília: 38 Anos”  (1º Prêmio no Salão) Pátio Brasil – Brasília
- “Vesti Do Branco” Conjunto Nacional – Brasília
- “Tema: Ecologia” (Dos 262 inscritos, classificada entre 24 artistas) III Salão de Artes Iate Clube – Brasília
- “Panorama das Artes Visuais” Cultura Inglesa & Museu Histórico de Planaltina – Bsb & Planaltina
- “Artistas em Exposição” Clube Naval – Brasília
- “100 Recuerdos a Garcia Lorca” Galeria Parangolé da Fundação Cultural – Brasília
- “Cinco no Liberty” Liberty Mall – Brasília
- “Brasília Contemporânea” Galeria do ECT – Brasília
- “Sete de Ouro” Metropolitan Mix – Brasília
- “Os Guerreiros”  -  Clube do Exército / Clube Internacional – Brasília

1997

- “I Biennale Internazionale Dell’Arte Contemporanea”Palazzo Affari/Arte Studio – Firenze/Itália
- “Brasília na Bienal de Firenze” Praça das Artes – Conjunto Nacional Brasília
- II Salão de Artes Plásticas – Iate Clube – Brasília
- “XXII Salão Brasília-Marinhas” Ministério da Marinha – Brasília
- “Exposição Amigos de Brasília” Associação Ordem das Altaneiras – Clube da Aeronáutica – Brasília

1996

- I Salão SOHO de Arte Contemporânea -  Mansão Flamboyant – Brasília
- I Salão de Artes Plásticas – Iate Clube – Brasília
- “Figurativos e Abstratos” Atelier Lourenço de Bem – Brasília
- V Salão de Artes – SESIMINAS – Belo Horizonte – Minas Gerais
- “Todos de Bem – Pinturas”  Iate Clube de Brasília – Brasília
- “Brasília: 37 Anos”  Conjunto Nacional – Brasília


 

 O VALE DA LUA E O MILÊNIO


Há milhões de anos corriam rios caudalosos polindo e arrastando as pedras de um local mágico e fantástico situado ao norte de Brasília, próximo à cidade de Alto Paraíso - "Vale da Lua". 
Arqueólogos e especialistas de áreas como antropologia, geografia e estudiosos da pré-história há muito consideram o Centro-Oeste brasileiro uma das mais antigas regiões da América do Sul.    A eterna curiosidade do homem levou-o a pesquisar o seu "ao redor" e, quase sem querer, foram redescobertas grutas profundas e misteriosas, cavernas repletas de desenhos de signos e símbolos cujos significados começam a ser avidamente pesquisados.  E, embora não se possa precisar a existência humana na região, estudos recentes resultaram em achados indicativos de datas entre 10 e 12 mil anos antes do florescimento da cultura ocidental, com as grandes navegações e a chegada ao "Novo Mundo".* 

Areias brancas junto às cavernas de imensas pedras claras e roliças, repletas de restos fossilizados de animais que por aqui passaram ou cá viveram atestam a existência de mar no Planalto Central.    E o "Vale da Lua", embora distante muitos milhares de quilômetros, traz-nos a lembrança registrada nas grutas circunvizinhas da anterior proximidade desse mar.  São tão profundas as escavações realizadas pela natureza em tais cavernas que, quando o vento sopra em seu passeio por entre estalactites, estalagmites ou frestas de rochas produz tímidos sons, numa frágil mas persistente tentativa de resgatá-los, recuperando a memória de tempos ancilares.   Se de nosso corpo ouvimos o batimento do coração e sentimos a vibração de riso, choro ou canto, também do corpo da pedra podemos ouvir registrado seu próprio som.   Assim, o nome para peças como as estalactites e estalagmites ficou: "Pentes do Vento".     A "viagem espacial" ficou por conta das cabeças de pedra que resgatavam o conceito metafórico de MEMÓRIA - fosse para o som, a luz ou o cheiro.
 Leituras sobre Artes Primitiva e Contemporânea, por outro lado, revelaram que ambas em muito se assemelhavam, não havendo incongruência na busca, sempre atual, da "Pele da Terra" (conforme realizado por Helena Lopes, Glênio Lima, Cléber Gouvêa, Dulce Schunck e tantos outros) ou das "Memórias da Natureza" (que no meu caso tinha início com as pedras).    Há cerca de dois anos, o historiador romano e crítico de arte Luiggi Pino, assistido por jornalistas e antigos discípulos da Universidade de Roma (em comentário às peças por mim expostas na Embaixada do Brasil), observou o emprego de quase todos os sentidos nessas pedras, na medida em que facultavam a evocação de memórias sensoriais do tempo.

A intenção, na oportunidade, fora levar o público espectador a uma percepção otimizada de cada peça:  tocando-a, vendo-a, sentindo-a, enfim.   Em relação às "Cabeças do Tempo" interpretou-as paralelamente como sátira à modernidade e crítica aos excessos do poder e dos comandos arbitrários e/ou autoritários dos adultos - era como se as cabeças maiores (geralmente sem boca), tivessem que ouvir e prestar mais atenção ao que lhes era dito pelas cabeças menores (representativas tanto de crianças como das minorias).
 As "Moradas do Som" são as próprias grutas, como imensas conchas a guardar segredos, ruídos, etc.  Outros paralelismos com objetos atualmente escavados nas buscas arqueológicas são exemplificados com: a) as inserções de símbolos e signos mito/astrológicos nos objetos, que se associam aos grafismos e inscrições pré-históricas;  b) os "Pentes  do Vento", como representação das estalactites e estalagmites, acompanhados do som do vento; c) os grandes e médios "Totens", denominados “Úteros Totêmicos” (constantes da presente Mostra), além das "Moedas do Tesouro Real" e dos "Manuscritos dos Sábios". 

Por todas as razões acima esse local é, há bastante tempo, minha grande paixão (inspirador dos poemas abaixo) mas, assim como não se pode explicar seu mistério e encantamento, também minha obra terá que falar por si, espero que com magia similar àquela com que fui enfeitiçada e arrebatada, em contato com cada milímetro desse lugar quase-sagrado - o VALE DA LUA.
 

1. V. "Prajaprakti" -  imagem do Deus que ao invés do sexo apresenta o OVO CÓSMICO.
2. JUNG, G. 
3. V. "Os Filhos do Fogo" -  instalação de 1995, na Galeria Candido Mendes, Rio de Janeiro, de autoria de Nely Gutmacher


 
DUPLOS DE MIM

O micro e o macro...
O concreto e o ilusório...
O real e o virtual...

Dentro como fora...
Forte e fraco...
Razão e emoção...

Todas as formas
E suas dobras,
Marcas e traços
São gestos espelhados,
São modos e jeitos repetidos
E duplicados de MIM.
 

 
 
TRAVESSIA   DO   MILÊNIO

     Flavita Obino Boeckel

Desconhecidos mas suspeitados,
É preciso descobrir os tesouros da TERRA.

Do fundo sombrio de uma gruta
É preciso resgatar o som eterno
E encontrar as moradas desse som
Recluso, entranhado em meu corpo.

É preciso pescar, da ÁGUA turva,
Pedaços caídos do espaço -
Espécie de peças loucas de um bêbado Universo.

É preciso buscar a memória das
pedras

Escondida no canto de uma caverna qualquer
Mas que, empurrada pelo VENTO
Traz-nos ícones de imagens e desígnios.

É preciso, enfim, roubar do FOGO

Sua força esparsa e recolhida,
Como lembrança de uma história humana
Através da solitária jornada do MILLENNIUM.

  

 
 
TRAVERSÉE  DU  MILLENNIUM

Flavita Obino Boeckel

Inconnus mais suspectés,
Il faut découvrir les trésors de la TERRE.

Du fond sombre d'une grotte
Il faut racheter le son éternel
Et trouver les demeures de ce son
Reclus, entraillé dans mon corps.

Il faut pêcher, de l'EAU trouble,
Morceaux tombés de l'espace
Espèce de pièces folles d'un îvre Univers.

Il faut chercher la mémoire des pierres,
Cachée au recoin d'une caverne quelconque
Mais qui, entraînée par le VENT
Apporte icônes d'images et desseins.

Il faut prendre, enfin, du FEU,
Sa force répandue et recoltée
Comme souvenirs d'une histoire humaine
À travers la solitaire journée du MILLENNIUM.
 
 


SITE
http://www.byinternet.com/flavita/index.cfm
e-mail
flavitaobino@terra.com.br