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PALAVRA DA CRÍTICA |
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Tomei conhecimento da pintura do Cruvinel através das referências do poeta José Godoi Garcia que, inclusive, nos momentos de fraqueza costuma perpetrar uns quadros. Ambos, eu e Cruvinel, morávamos na ocasião em Brasília.Tornamo-nos amigos e fui me aproximando cada dia mais do indivíduo Cruvinel e do mundo imaginário de sua pintura. Como pessoa o artista é multifacetado: um pouco de empresário, um tanto de construtor e um aficionado de carros antigos. Extremamente irrequieto, de tempos em tempos se manda para a Europa, com algumas telas debaixo do braço e por lá vende seus trabalhos, perambulando pelo Velho Mundo até extinguir seu fôlego financeiro. Conhece milhões de pessoas, já viu coisas insuspeitadas e tem livros que provavelmente nunca lemos. Agora (não sei até quando) está aportado em Morrinhos, sua terra natal, e lá revolve suas raízes, revê os fantasmas de sua infância e, provavelmente, se abastece desse fundo comum de nossa memória infantil que, dizem os psicólogos, moldam nossa vida de adultos. Em termos de pintura o Cruvinel tem um caminho solidamente traçado do qual não se afasta, embora às vezes permaneça tempos sem empunhar os pincéis. A figura humana é seu leitmotiv, sua tentação e sua danação. Não a figura na sua superficialidade formal, mas a figura tratada em termos de sonho, ou melhor, de pesadelo. Homens e mulheres que atravessam seu inconsciente conduzidos pelos íncubos e súcubos da vida moderna povoam suas telas. Cruvinel pertence assim a uma geração de artistas que resolveu protestar. Protestar em suas telas contra o irracionalismo, a violência, a opressão que nos domina e sufoca. Cruvinel sabe que não nos querem sonhando, não nos permitem utopias e nos obrigam a ver, todos os dias, nosso Grande Irmão televisionado para nos convencer que nosso mundo é azul.
Mas felizmente existem os inconformados, os
recalcitrantes, os irrequietos e os às vezes vencidos mas não convencidos.
Cruvinel alinha-se entre os artistas que deveriam eleger como patrono e
santo protetor o Bosch, pois foi por lá que a coisa começou, e perpassando
pelos tempos atinge nossos dias de inventada e manipulada modernidade. |
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