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a boca, essa
conduto da sua fala
do seu canto
da ingestão do precioso
alimento
por onde você arfa
beija, suga
mexe e faz mexer
a boca, essa
por onde você puxa
o puro ar e o fumo diverso
sorve a água e os álcoois
come a sua e a comida dos deuses
percebe as ervas, os azeites e o alho
cocegueia os filhos e a amante
a boca, essa
com que você xinga
também!
Através dela, em vômitos
devolve o que lhe fere
as vísceras e a alma.
Nada mais restando,
a dignidade de Spártacus
feito preso
é restituída pelo denso
e preciso cuspe na cara!
do desprezível general romano.
A boca, essa
dos sussurros
dos acalantos
das doces palavras
das cantigas e sambas de roda
das boas estórias dos nossos
amigos & amigas
irmão & irmãs
pais & mães
dos nossos avós, bisavós...
que são as nossas histórias.
A boca, essa
que as mulheres sensíveis
enfeitam
com ainda mais cores
te dará um céu, meu bem
e uma língua também!
A mesma boa língua
dos voluteios noturnos
está na boca, essa.
A boca está em todas as bocas! |
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