Amsterdam  

 

 

Quero ser feliz
Em Amsterdam
Correr com o bolso 
Cheio de pêra e maçã
Andar de bicicleta
Na Heliotroplan...
Quero andar contra o vento
Pelas ruas, pelos becos
Subir e descer escadas
Andar pelas calçadas
E no canal Central
De um barco a vela
Fotografar
Cortinas de renda
Flores na janela
Depois irei à Kluse
Ver casinhas de bonecas
Cheirar tulipas azuis
Roxas, brancas, amarelas
Quero muita torta de frutas
Com vinho quente e canela
Num bar holandês
Puro ruído e fumaça
Quero ver os homens do porto
Com tatuagens no braço
E mais tarde jantar
Quem sabe 
No bom paquistanês
Pedir uma table au riz
Pedir um licor de aniz
E sair por aí... feliz!!

     

   

 

 

Cadê...

 

Cadê a alegria que estava aqui?
- o dia comeu

Cadê o dia?
- o trabalho levou 

Cadê o trabalho?
- o chefe pegou

Cadê o chefe?
- parou na estação

Cadê a estação?
- foi derrubada no chão

Cadê o chão?
- terremoto levou 

Cadê o terremoto?
- foi parar no Japão

Cadê o Japão?
- sumiu no mar

Cadê o mar?
Yemanjá guardou
Pra se banhar... 
Pra se lavar
Nas águas do mar

 

   

 

 

Doce Vingança

Não me olhe assim
Sem jeito
Que eu faço
(e em feito)
um carinho pra você
Não me chame amor-perfeito
Com este riso satisfeito
Que eu vou beijar você
Não me prenda deste jeito
Dentro deste abraço estreito
Que eu não deixo mais você

 

 

  

 

  Ela e Ele
(Gêmeos e Sagitário)

 

 

Ela é do ar
Ele é do fogo
Um quer sossego
O outro, agitar
Ela é prática
Ele, detalhista
Ele quer ser gênio
Ela é artista
Ele, ângulo reto
Ela, curva, sinuosa
Ele, instrumento de sopro
Ela, instrumento de corda
Ele é sólido, sério, seco, 
Ela é leve, livre, solta,
Ele é sol, é luz e calor 
Ela é inverno, cinza e chuva
Ele é lento, terno, doce
Ele é superfície, ela é abissal
Ela tem pressa, morde, arranha
Ele é fantasia, ela é sensorial
Ele é calma, é paciência
Ela é puro furacão
Ela é vírgula, reticências...
Ele é ponto de exclamação!

 

 

  

 

 

Inquilinos

Dentro de mim mora calmo
Um anjo de asas partidas
Que me tira quase sempre
De um beco sem saídas

Dentro de mim mora sempre
Uma fada de unhas pintadas
Que me mostra se me perco
O rumo o caminho, a estrada

Dentro de mim mora ainda
Um menino moleque vadio
Que me aponta que me ensina
Como fugir do vazio

Juntos assim dividimos
Meu coração vagabundo
E seguimos chorando sorrindo
Vivendo
Soltos aí pelo mundo
Vivemos felizes pelo mundo

 

 

  

 

 

Stockholm

 

 

Meus tamancos suecos
Fazem barulho
Pelas ruas de Estocolmo
E me fazem lembrar
Cecília Meireles
Na canção dos tamanquinhos
Morena, tostada pelo sol de Ibiza
Colorida pelo verão em Majorca
Brincos de argola
From Madrid
Atraio olhares escandinavos
Neste bar onde paro
Parece que chamo a atenção...
Quando vou pagar meu sorvete
Um sueco risonho e rosado
Sorri e me diz que não
Agradeço em portugues
Saio feliz da vida
Com meu pistache na mão 
E atravesso a avenida

 

 

 

Vou te deixar...               



   amanhã
   vou te deixar 
   mas te deixarei lembranças
   pra te recordar
   vou te deixar meu sorriso
   pra que te possas alegrar
   ficam contigo meus olhos
   para que tu possas chorar
   a ti darei minha boca
   para que tu a beijes

   ao pensar   

   

 
   que tudo o que eu
   sempre quis
   foi te fazer mais feliz
                       e
   um dia sozinho em seu quarto
   quieto, sofrendo à sos
   tu hás de sentir
   estou certa
   imensa saudade
   de nós

    

   
   amanhã 
   vou te deixar
   amanhã...


   

 

Rosângela Maluf
É mineira de João Monlevade (MG), de família libanesa e um universo essencialmente masculino: pai, 4 irmãos, 2 filhos, um único marido há 21 anos. Acredita no ser humano e na relação profunda entre pessoas. Vencida a timidez, ousa publicar pela primeira vez alguma coisa que até então guardara só para si. Vive em BH, é consultora de empresas, faz mestrado em Marketing e também professora universitária.

romaluf@hotmail.com