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Você,
é tudo.
Ou Quase. Quase tudo.
As vezes
De tão quase
Já é nada,
Ou quase nada.
É o pensamento intruso
invadindo a tarefa
O sono conturbado
por um sonho triste
E o despertar alegre
de um sonho tolo.
É a falta numa ausência concreta
E a presença numa esperança remota.
É o sorriso espontâneo
Num encontro casual.
O erro que se quer errar.
É o fim de tarde
De uma Sexta-feira chuvosa
E a manhã cálida
De um Domingo triste.
Você é.
E além do ser,
Desponta vertendo
sobre o verbo estar.
E está na ponta do cigarro no cinzeiro
No isqueiro - presente simples
jogado fora.
No telefone que não toca
Nos caminhos,
Onde já não se encontra.
E está no asco,
No medo e na mão que não estendeu.
Está em tudo que deixa rastro
E tudo deixa um rastro
Como um objeto esquecido.
Como o rastro gasto
De teu perfume barato
O rastro abstrato
De um apelo incompleto
E o rastro concreto
De um equívoco sem nome.
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