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André
Gonçalves
O brasileiro é viciado em pizza. Estima-se que só
em São Paulo sejam servidas um milhão de pizzas
por dia. Aproximadamente 45.833 por hora. Cerca de 784 por minuto.
Uma dúzia por segundo. Isso, acredite, apenas em São
Paulo. Não há dados oficiais sobre o número
de pizzas em todo o Brasil. Mas, o que se sabe, é que
brasileiro adora uma pizza. Tanto que, aqui, existe o Dia da
Pizza: 10 de julho. Dizem que no Brasil tudo acaba em pizza.
Dizem, também, que essa expressão surgiu em 1950,
quando dirigentes do Palmeiras quase foram aos tapas em uma
discussão e fizeram as pazes indo à pizzaria.
Tutti buonna gente. Pode ser lenda. Convenhamos, bem
saborosa. Echo.
Segundo historiadores, a pizza surgiu há
cerca de seis mil anos. Ao contrário do que se imagina,
não foi na Itália. Foi no Egito. Não creio.
Assisti Cleópatra várias vezes e não lembro
de Elizabeth Taylor comendo pizza. Outros afirmam que ela surgiu
na Grécia, e era feita com massa à base de farinha
de trigo e grão-de-bico. Há quem jure que Platão
teria escrito a Politeía com a boca cheia de pizza de mussarela,
mas há controvérsias. Escavações em
Atenas levam muita a gente a desconfiar que o arremesso de disco,
modalidade olímpica, surgiu nessa época, quando
era comum se arremessarem pizzas ruins no Mar Egeu. Pois bem.
Da Grécia, a pizza teria invadido a Etrúria, na
Itália, e caído no gosto popular. Mas era servida
dobrada, como um sanduíche. Supõe-se que não
tenha dado muito certo, talvez pela inexistência de guardanapos
de papel nessa época. No século XVII, em Nápoles,
a pizza começa a se aproximar da que conhecemos hoje, quando
os espanhóis descobriram que tomate serve para comer e
não apenas para jogar nos outros. Essa pizza rudimentar
ainda era retangular, apesar de já contar com azeite, alho,
mussarela. Em 1830, foi inaugurada a primeira pizzaria do mundo:
a Port'Alba, lá mesmo, em Nápoles, que reunia a
intelectualidade napolitana, entre eles poetas, escritores e pintores.
Um certo Dom Rafaello Espósito criou a Margherita, em homenagem
à rainha Margherita de Sabóia, mulher de Umberto
I, e aí a coisa complicou. Misturaram tudo, e colocaram
a politicagem como ingrediente. Depois, na Segunda Guerra Mundial,
os americanos cismaram de aprender a fazer pizza e, é claro,
com a delicadeza que lhes é peculiar, avacalharam tudo.
Ensinaram o mundo a colocar catchup e maionese na pizza, inventaram
o fast-food e a borda de catupiry. E, claro, a beber Coca-Cola,
pra descer pela garganta da gente essa gororoba. O fato é
que brasileiro é viciado em pizza. Isso tem causado alguns
problemas a nossa gente. Veja, por exemplo, o caso da Velhinha
de Taubaté. Uma fonte minha, que prefere não ser
revelada, informa que a polícia desvendou o segredo de
sua morte. Não foi por se ver traída por alguém
em quem ainda acreditava. Sua autópsia revelou sufocamento
por pizza. Uma caixa de papelão ao lado do telefone confirma
essa suspeita: Pizzaria Brasil. Na etiqueta, o sabor da pizza:
buchada.
Teresina - PI
p.s.: aqui, dois links com textos meus: www.farinhada.blogspot.com
e www.cabezamarginal.org.br/cambalhotas
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