Separação


Walnei Arenque


Quisera a loucura ao delírio
Que eu fosse mais cautelosa e
Rasgasse para separar
A esperança será o fogo da paixão
Talvez este queime o amor
É sempre assim,
Dia vem, dia vai
A dor da separação possui,
Invade verdades e a mim.
As confidências ficam no ar
Intactas, sempre repassadas.
A memória fica mais ativa
Buscando as lembranças, sempre elas,
sempre altivas, sempre imperativas.
As lembranças deixadas
Ficam encravadas, na alma
Lembram facas fixadas
Na alma, ela ficou? Ainda as tens?
Ela, a alma, ainda não foi arrancada?
Grávida
Estou grávida,
Grávida de um bebê,
Estou grávida de você.
A esperança desaparecida,
Agora toma um rumo de partida,
o que fica é a vida.
Estou grávida por você.
Grávida de reviver.
A mágoa esquecida.
Aí vem esta criança tão querida.
Estou grávida com você.
Grávida por merecer (intensamente).
Fico tão agradecida,
... às vezes, até perdida.
Estou grávida em você.
Grávida por entender,
reconhecer,
perceber (Finalmente Ser!).

 

Walnei Arenque
Nasci em São Paulo; era o ano de 1963. Psicóloga por formação, a missão que escolhi possibilitou que eu continuasse a vibrar com a alma alheia e, com a sensibilidade mais afinada, tornei-me "aprendiz de poetisa". Um dia, fui convidada a "me manifestar por escrito" em um site feminino e, de repente, fui envolvida, gostei, da composição e do ritmo das palavras... Era o início. Com a alma, vibrações canalizadas, atenta a tudo que ouvi, percebi e compreendi. Também a tudo que não entendi, não conclui e não deduzi. Entrei na ordem do imaginário, do real e do simbólico, com a pretensão de transformar em poesia sonhos desejados, sonhos calados, sonhos latentes e sonhos inconscientes.