Lá vem o trem


loucomotivas
loucoemotivas
loucosensitivas
loucopermissivas
loucodispersivas

loucas emotivas

locomotivas

enlouquecidas

soltam das bocas de dragão
poluídas fumaças

trazem e levam esperanças
escondem histórias e trapaças

puiuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...


apitam nas celas dos manicômios
à espera do caminho de ferro
pra poderem sair da linha sem culpas

loucas emotivas
locomotivas
apitam sem trem


os pães líricos


recheados de vermes
o cotidiano repleto de umbigos
o tempero das vaidades

abro os jornais locais
pra quê?
rangem as páginas retintas
do descalabro social
da vaidade sem sentido
sem ter tido sequer
vergonha sibilante

peço outro cardápio
o garçom mendigo
monta a mula muda
aponta a ponta
fenda na porta
sem fechadura

serve-me restos
mortas carnes disfarçadas
o perfume Chanel 5
doce engano sobremesa
sobre a mesa
o papelão é o troco
a gorjeta é a sarjeta
o final é sem terra
pó repleto de vermes
pra rechear o pão
o lirismo é o terço
no quarto o pecado
nos quintos o povo
ardendo em febre
o inferno de Dante
dantes não tivesse vindo

afinal:
como ou não como?


..........................

CORPOS

Ouvindo Roberto Piva

Há corpos que atraem homens
Há corpos que atraem mulheres
Há corpos que atraem homens e mulheres
Há corpos que atraem homens, mulheres e bichos

Há mulheres que gostam de mulheres
Há mulheres que gostam de homens
Há homens que gostam de homens
Há homens que gostam de mulheres
Há mulheres que gostam dos corpos
Há homens que gostam dos corpos
Independente de gênero, número ou grau

Há pessoas que gostam da intumescência
Das coisas que crescem, preenchem
Há pessoas que gostam das reentrâncias
Das coisas que elas completam com seus volumes
Há pessoas que gostam de cheiros
Há pessoas que gostam de líquidos
Há pessoas que gostam de sabores
Há pessoas que gostam de corpos
Independente do cheiro, dos líquidos, dos sabores

Eu gosto de gente
Mas nem por isso carrego todas as gentes pra cama
Nem por isso conheço todos os sabores,
Ou todos os cheiros, ou todos os líquidos
Nem por isso sei preencher
Apenas recebo meu homem e seus volumes,
Meu homem e seus líquidos,
Meu homem e seus sabores
E divido com ele meus cheiros,
Meus líquidos e meus sabores

Eu gosto de gente
Talvez se eu fosse uma libertina
Me corrompesse ao prazer dos corpos
Experimentando todos os líquidos,
Todos os tipos de volumes
Todos os cheiros e todos os sabores

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Thaty Marcondes
30/11/54 - Jundiaí/SP. Me chamo Thais - nome presenteado por meu pai, que não era France ou Massenet, mas por admiração a estes assim me registrou em cartório. Mais conhecida como Thaty - apelido de infância. Autodidata, aprendiz da escrita e da vida, meio nômade, meio cigana, resido atualmente no interior do Paraná. A escrita é sina, impulso, pulso. Me agarro às linhas e vou desenhando letras, abrindo a alma, rasgando sentimentos. Nas frases que monto, remonto meus eus, meus dias, minha vida.