Tragédia II

Mauro Zipper

Escrevo porque sem palavra
os meus pulmões implodem

[as partes mais
tranqüilas do meu corpo
ingerem quantidades
absurdas de cianureto
e mesmo assim não morrem]

o que era pra ser triste
passa a ser medonho

o que era pra ser dito
passa a ser gritado

...

uma inflamação se alastra
pelo corpo afora
até que ninguém possa
mais me olhar de frente
.
.
.
.
...........olhem de lado

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A coin a day

Quatro pessoas
Conversaram sobre mim

Chegaram a conclusão
Que não gostavam
Do meu jeito

Uma delas ainda
Tentou me defender

As outras três
Me condenaram
...

Achei melhor assim:

A MORTE FAZ TODOS IGUAIS

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Surfing


Comiseração não há

...

o mar se dobra
em toneladas
sobre o que flutua

Modo I

Ao poeta Abelardo Eleotério


o gosto do cheiro e o cheiro do gosto/ trata-se do estar de lado ou ser
adjacente á parte interior codificada / núcleo do não-centro imaginário
reciclável do infinito/ salto sobre abismo em busca d o tempo perdido

ou

estímulo secreto visceral plasmático/ fazer conjecturas por
esporte ou vício
de pensar no oposto / início do exercício de metalinguagem /
inútil tentativa
de classificar um espírito consórcio/ de memórias agrupadas ao sabor acaso

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Mauro Zipper, 38, é pernambucano, radicado no Ceará há 29 anos. Poeta
desde a adolescência, assume hoje uma postura assencialmente
contemporânea/experimental. Sua poesia dialoga com as mais diferentes
áreas da comunicação e da vivência humana.

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