|
Infância
Marlon Macarini Há
muito procuro um sentido às estrelas... Sentia,
entretanto, brumosas centelhas, Criança
pudica de flavos desejos, Tão
doce a lembrança de tempos passados, Porém
tão distantes, as moças dos céus, De
estrelas ao Nada tracei meu destino, E
quando me lembro dos velhos fantasmas, Soneto XLIV Ouvi
que chamavam, e a voz pra mim era, Sentado,
sisudo, num banco à espera, Tu
vinhas tão moça bailando os segundos E
tinhas, intensa, o silêncio das águas, "O
verso primeiro, pois veja, eu consigo... Mas
como, não vês a beleza no antigo? Amigo,
se buscas mudar um sistema Transforme
a história e reescreva o poema, Eu
quero dançar sobre as vagas certezas, Eu
quero descrer que a mundana vivência Eu
quero no outono florir de saudades, Pois
quando cansado da dança das horas, Trouxeste-me
à vida deixando de lado Doridas
marés percorri silenciado Sem
pálidas dálias dizendo-me adeus, E
quando me dizem, "enfim tens a glória, |
|
Marlon Macarini Nasceu em
Criciúma/SC, há vinte e um anos, mas lendo seus versos,
tem-se a impressão de que ele sempre vagou por essa terra desolada,
sempre em busca do inalcançável. Nada é superficial
em sua poesia, como poderia sê-lo, tendo como influência Petrarca,
Camões, Dante e o desgraçado Augusto dos Anjos? Hoje, são
poucos os poetas que estão à altura de suas inquietudes,
ou que, pelo menos, andam lado a lado com ela. Marlon consegue isso, por
isso, talvez, ele faça parte dessa espécie de escritores
que lamentamos só encontrar muito raramente, mas nos quais não
paramos de pensar e que gostaríamos de compreender ou pelo menos
de adivinhar. |