Cinzas

Centésima vez
Que você diz
É infeliz

Isso nunca quis
Sou um aprendiz
Do revés

Só pensei talvez
Ao invés
Tudo vire cinzas

 

Água na geladeira

Ainda bem
Que tem
Alguém
Que faz
Algum bem
A alguém

Sem quem
Faz bem
Ninguém
Tem bem
De alguém

Ame quem
Faz bem
Sem
Olhar quem

 

Som da minha selva


Sento no banco
Entre duas ruas
Nem praça é

Aponto o lápis
Com meu canivete
De aço escovado

Vejo a beleza
Feminina passando
Vou anotando

Aponto o lápis
Um Voyage 800
Com borracha na base

Ouço a música urbana
O som da minha selva
Péssimo sabor é

 

Mão Branca
É o pseudônimo do escritor Giovani Iemini ou será o contrário? Morador de Brasília, tem mais de 30 anos, conhece profundamente a perversidade humana e tenta de todas as maneiras ver-se livre das amarras da própria limitação. Mão Branca vive tomando umas nos bares da cidade mas está sempre à paisana, o que não quer dizer que seja o Giovani. Gosta de coisas simples mas limpinhas. Detesta politicagem e vive mandando tudo à merda. Gosta de futebol, mulheres, roquenrou e cerveja. Acha a cachaça a bebida dos deuses. Cactólogo, historiador, gibizeiro, roqueiro, marido, enxadrista, pintor e músico (frustrado).