| Céu
enluarado
No avarandado das emoções promíscuas
Agora estou de volta à forma obsoleta
Na mesma íngreme e rígida postura
Que me pegavam pela rua
As mesmas virgens pela cintura.
Nem sempre por elas
Mas indiscutivelmente por todas
Cá nessas mazelas
Quase esqueço de minhas bodas
E corro por terra
Como que por ar
E faço ti
O bom parar de respirar
Pois me envolvo em tua boca
E nossas falsas bodas
Que mais reais não poderiam
Agora são até santificadas,
Ungidas e sagradas
Pois as outras e os outros partiram.
Pega-me como que nada
E afoga em mim o teu lábio
Faze por birra a tua crença
De amar-me sob o céu enluarado
09/11/04, Limeira - SP
Jogo-Janeiro
Hoje sou
mais um e mais eu
Sou mais fogo
Sou mais meu e mais seu
Não volto logo
Sou mais bum e mais breu
Não é mais jogo
16/01/2005,
Fórum Social Mundial, Porto Alegre - RS
Aqui causa
arte
Aqui nos
olhos cálidos
Da angústia por paz,
Trocamos fala sem pausa
Pelos longos planos,
E nessa dúvida de causa,
Fazemos arte
Pra passar os anos
02/02/05,
Casa de Cultura M. Quintana, P. Alegre - RS
E
tem diferença?
Se não
sou eu o novo eu
Quase eu nem sei se sou
Mas só ser mais eu
Não quero nem vou
Se for pra
ser deus
Se for pra ser vibrador
Ou cotidianos mais
Deixo a caneta
Vou é ser sonhador
Aparece tanto
deus
Some tanto vibrador
E no aparece e some
Nasce tanto homem
Que já chega, né, doutor?
01/08/05,
Artur Nogueira - SP
Juventude
Se a desistência
Exalta a maldade
Será a idade
A voz da decência?
Da receita
entende-se
Tão pouco se sabe do bolo
Se solto afeto a existência
Várias mãos tornam deus tolo
13e15/05/05,
Artur Nogueira - SP
A
lição do chão
A amplitude
e imensidão
alcançada pelos meus olhos e rodas
Garantem-me a existência farta
da vida sem fronteira.
As horas me trouxeram
a vastidão do país,
a terra me mostrou
seus montes secretos,
não ricos.
Diminuem a medida em que me aproximo
E pela primeira vez no dia
Tenho chão já conhecido
E discordo dos sentidos
E me apego aos sentimentos
E discordo de Ledo Ivo
E da própria Recife,
Cidades inúmeras,
Mulheres só uma.
13/08/04,
Montes Claros - MG
Poesia
é correr para a própria vida
desconexo
estrela cadente
bola de neve
conhaque
água de coco transcende
Rasante
raspar a barriga
esfolar a graça
correr bem perto do chão
novo
tchau mãe,
sem mala
fugir é deixar saudades
22/11/05,
Artur Nogueira - SP
Pastilha
sabor desgosto
Seco, sonso
Somos sempre
Somas simples
Nenhuma idéia
Dura mais
De uma linha
Poesia som
Poesia sina
23/11/05,
Artur Nogueira - SP
Conhece
e compartilha
Exteriorizo
ao mundo
seu rumo,
meu tombo
direito é tão ralo e turvo
que deixo livre
meu acervo mudo.
21/11/05,
Artur Nogueira - SP
roer, calar, rimar, ceder
simetria causa náusea.
sem sapatos,me mordem
os ratos sem sapatos
piso sem cautela.
23/11/05,
Artur Nogueira - SP
Madeeeeeira
Sementes
germinam
Seiva que cai
O ciclo
Vai.
Bate
Machado
Corta tronco
Enterra natureza
Para ter certeza
Que pesa no
Peito da
Terra
Os seus
Lucros mortais
24/11/05,
Artur Nogueira - SP
Hostil
Apatia
códigos
idos
ônus
todos vamos
ao abate juntos
clamores,
senhoras?
coerência
auxilia.
plantou
desigualdade
não colheu fantasia
24/11/05,
Artur Nogueira -SP
Alvorada
cabelos negros,
esperar-te me arrebata.
tardes desassossego, noites serenata
não são quão tu tão belas.
Celas de asfalto, nem escutas
prisão de saudade me encarcera
gritarei em verso meu amor à cidade
sem cerco, sem cena
- Amar é sofrer valendo a pena
25/11/06,
Artur Nogueira - SP
Tem
alguém fazendo a comida?
é
preciso ser infernal
mesmo na verdade explícita
tanto gado e tanta fome
terra improdutiva pinta
a esbelteza corrosiva
dói saber da jovem crítica
influente na dor da gente
participante e incisiva
tão confortável
tão complacente.
Ora, jovem instruído
larga o osso,
planta a semente
27/11/05,
Artur Nogueira - SP
morrem
no linho
sim,
acredito na existência dos poetas.
humanos que são,
a inconsistência de suas frases
se torna mais visível
a medida em que me aproximo
eles seriam uns deuses menores
meio evasivos.
Como todos nós
são finitos, falhos,
mas insubstituíveis.
27/11/05,
Artur Nogueira - SP
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