POEMA PARA A PALAVRA AMUO

Artur da Távola



Vitória final de vogais valentes
trissílabo bissilábico, três a um,
hiato fonético sabor ditongo
mugido escuro da zangada
cor sem som, velada vaia.

Ignota palavra anã
de conspícua prosódia
na fala banal do Brasil
verso faço de ti já que pareces
vencida, em fim de carreira,
ó prosaico vírus do pronunciar!

U que impede o amo,
zanga, beicinho, aporrinhação
sanduíche de eme entre a e u
linda labial de creme,
muco sinuoso de u e de o
és ignota dissonância,
na imperceptível poesia
do falar doente terminal.

...


Paulo Alberto Artur da Távola Moretzsohn Monteiro de Barros
Carioca, nascido em 3 de janeiro de 1936, o advogado, jornalista, radialista, escritor e professor Artur da Távola tem também uma longa trajetória política, tendo sido deputado, senador e líder do PSDB. Editou a revista trimestral de comunicação, arte e educação, Contato que era distribuída graciosamente para as instituições culturais de todo o Brasil e destaca-se como articulista e cronista em diversos órgãos de imprensa no Brasil.
www.arturdatavola.com