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Êxodo
A. Zarfeg
Assim
que deixar de ser eu mesmo
Assim que abrir mão de ser feliz
Passado o momento da extrema
Ansiedade
Quando eu sentir os ares da cidade
Quando
a simplicidade der lugar
À necessidade de a gente se
Adequar às novas maneiras de agir
Daqui, meu amor,
Eu só saio se for
Pra dar umas voltinhas
Ao redor do mundo
De preferência sem dor
Superfluidade
repentina
Não vou abrir mão dessa rima
Mania minha de querer
Me dar bem na vida
Baianidade
atrevida
Daqui eu pressinto o sentido
Das coisas mais legais
Baiano ou mineiro
Eu sou senhor de meus ais
Missão
Para
Clauduarte Sá
(Disse
e repito)
Eu canto porque cantar é
Lapidar a tristeza e/ou
Endireitar a alegria
Meu metier santo
Vai e vem meu canto
No acorde essencial
Nos ares uma dor fina
Notas de saudade
Aquele mapa velho
Na parede fria que
Me conduz à rotina
Da casa colonial
Lá nas águas pretas
Nas quais a gente
Mergulhava fundo e,
De volta à superfície,
Era feliz e não sabia
Uma geração depois
Vozes humilhadas
Esperanças pilhadas
Pois a política virou
Um caso de polícia
Na Vila Batista
E como isso dói...
Mas,
cumpadi, a
Esperança não morre
E é preciso resistir
Sempre e sempre
Com minha voz
Eu sou muito mais
Minha missão é
Decretar a rebeldia
Nas vias oficiais.
Menino
sonhador
Para
Santos Dummont
Menino
mágico, moleque trágico
dá tua mão, cuidado!
Vem comigo, diabo!
A infância não dura mais
que um aperto de mão.
Na verdade não passa
de uma bela brincadeira
enquanto assenta a poeira.
Menino
inconseqüente
não te fies no destino da gente,
que a tua alucinação ainda
vai dar muito que falar.
No futuro todos vão saber
dos teus feitos memoráveis:
era um diabinho infeliz
que voava feito um 14-Bis.
Radiofônico
Seu
Ramiro Guedes,
Seu almoço é dez:
O tempero mui bom,
Os graves e agudos
Sempre no tom.
Depois é só alegria:
Tem MPB, Samba,
Baião e Cantoria.
E
viva o povo brasileiro
Na pessoa de Elba,
De Gonzaga e Caetano
De Milton, de Xangai
E Jackson do Pandeiro!
A
patroa lá em casa
Sabe de cor a receita do
"Almoço à Brasileira".
Ela tem bom gosto,
Senso musical e não
Dispensa o final: quando
É servida a saideira
Que dura a vida inteira.
Seu
Ramiro Guedes,
O senhor é nota dez!
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