Ronaldo Cavalcante

 

É engraçado toda essa celeuma em torno do referendum, provando mais uma vez que a máquina governamental faz o que quer e passa por cima de qualquer opinião com um rolo compressor. O governo nem sempre esteve certo, e mesmo quando eu era militar, não dizia amém a toda posição tomada por ele, e foi esse um dos motivos que me fez desistir da farda.

Mas, afinal, pra que serve esse tal de referendo? A lei proibindo o porte de arma já existe de há muito. Portar arma é crime, entretanto transportar e mantê-las em local seguro não é. Quem não obedece são os criminosos (esses não obedecem lei nenhuma), as pessoas que se sentem ameaçadas por ter alguma posse ou prejudicadas fisicamente, e aqueles que querem defender seu patrimônio, quer seja grande ou pequeno, e o direito de viver no seu lar em paz.

Eu, em uma de minhas muitas histórias de vida, me safei por três vezes de elementos perigosos (dois assaltantes e um grupo de desordeiros) porque estava armado, e empunhei a dita cuja, e puxei o gatilho, e atirei para o chão, assustando os meliantes. Mas poderia não estar contando essa história hoje, porque, na primeira situação, eu fui cercado por três malhados marginais em fim de festa, querendo tomar meus pertences e me trucidar. Eu, prejudicado verticalmente, estava com uma "cagona" (garrucha antiga tipo dois tiro e uma carreira) e a usei atirando para baixo, assustando os valentes lutadores.

Na segunda ocasião, detectei um ladrão dentro da minha garagem, tentando roubar o carro. Porém, esse portava uma faca tipo peixeira, com a qual tentava destravar a porta do fusquinha 63. Não saí, com receio de que houvessem outros ladrões, e então gritei, ameaçando atirar. Ele não acreditou e veio na direção de onde saía a voz. Ato contínuo, mandei bala para o chão. O ladrão atleta pulou o muro de mais de 2 metros de altura sem tocar no mesmo.

Já na terceira vez, outra casa, outro ladrão, dessa vez no quintal, foi visto tentando roubar minha moto. Só que eu não tinha mais arma de respeito, e sim uma passarinheira de cartucho que não funcionava há tempos. E sem cartucho. Então tive que usar a psicologia e, aproveitando que ele estava abaixado do lado de fora, sob a janela do meu quarto, falei baixinho para alguém ir buscar a arma (a tal espingarda).

- Pega a arma lá no armário (sussurrando).
- Qual arma ?
- O rifle. Tô vendo a cabeça dele aqui abaixado. Vou pipocar ela. Toma a chave e não faça barulho (ruído de chaves).
- Toma, não atira na cabeça, não ! Atira nas pernas e a gente chama a polícia amanhã (ruído de pessoa arfando).
- Não, vou atirar na cabeça pra não perder o couro (clique de armar a passarinheira).

Não deu outra, o ladrão saiu em disparada, esquecendo até as sandálias havaianas.

Não é nada, não é nada, mas é um testemunho de quem vai votar "não". E não é só por esses fatos acontecidos comigo, mas também porque se o "sim" ganhar (eu disse SE!), os políticos e governantes que lançaram esse absurdo refendo, CONTINUARÃO protegidos com seus carros blindados, seus seguranças e suas ARMAS ! E porque as estatísticas do programa do "sim" são todas furadas. E porque os bandidos não irão saber se eu estou ou não armado. E porque prefiro morrer tentando sobreviver do que me entregar como uma pato de tiro-ao-alvo. E porque os milhões de judeus que foram vítimas do nazismo, tinham sido desarmados previamente. Assim como na antiga Rússia. E no Iraque.

Não bastaria uma medida provisória, que geralmente vira lei, transformando o uso de arma em contravenção, sem todo esse alarde? E como o governo não liga para contraventores, que o digam os donos de banca de bicho, de cassino, de bingo e das rinhas de galo.... Ah, por falar em contravenção e rinha, me lembrei agora do motivo de toda essa balbúdia !!!

DUDA "GALO" MENDONÇA E SEUS VALÉRIODUTOS INTERNACIONAIS ! Os grandes marqueteiros e beneficiados por toda essa bilionária campanha. Sem falar, é claro, dos quarenta ladrões. Porque sobre o Ali-Babá, ainda pairam algumas dúvidas (espero).

 

 

 

Ronaldo F. Cavalcante
Mora em Salvador, BA. Tem 45 anos. É funcionário público, engenheiro civil, com especialização em Educação e mestrando em Engenharia Ambiental na UFBA. Ex-professor da Escola Técnica Federal da Bahia (Cefet) e Universidade Federal da Bahia. Tem um livro de poemas em edição: Gritos contidos.
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