Eu somo meus sentimentos
Divido pela razão
Só me resta a emoção.

Eu somo a confiança
Que me subtrai da sorte
Só me resta a esperança.

Multiplico meus anseios
E elevo meu pequeno ser
Ao quadrado do eterno saber.

Multiplico as ilusões
Pelo valor de si mesmos
E nada tenho – só um conjunto vazio.

O dividendo sozinho
Sem o seu divisor
É como um resto de amor.

A raiz quadrada da vida
Se não tiver sinal de mais
Não existe – é complexo demais.

A vida é unidade real
Que, elevada à potência,
Dá um valor sem igual
É infinito enquanto dura
E limitado por um mesmo ideal.

 
     
 
   
     
   

 

     
 

Quero deitar-me ao teu lado
Como duas retas paralelas
Que se encontram no infinito
E traçar-te uma perpendicular
Em teu ponto médio
Para formarmos uma cruz
De braços ortogonais
Que se cruzam com fervor
No mesmo ponto de luz.

Quero recostar-me em tua hipotenusa
Para envolver-me no ângulo aberto
Dos teus catetos arfantes
Para traçar-te uma bissetriz
De segmento infinito
E tocar-te o ângulo reto.

Vamos unir nossos triângulos
De vértices opostos
E gerarmos um polígono
Em forma de estrela amante
Com seis pontas inteiras
E doze lados pequenos
De cujo ponto em comum
Partem os raios externos
De círculos concêntricos
Que vão colorir o conjunto vazio
De pontos e linhas, retas e planos.

E o universo inteiro – que era vazio
Tornou-se como a origem de um rio.
Que flui para frente e adiante
E volta ao mesmo oceano de antes.

 
     
 
   
     
   

 

     
 

Um beijo bem dado
Pode ser doce ou molhado
Pode ser suado ou salgado
Mas um beijo é sempre
Um encontro de dois lábios:
O lábio que beija
E o outro que é beijado
(ou será o contrário?)

Beijar não é uma ação
– É um momento
Não tem razão de ser
– É uma fração do viver
Deve ser vivido sempre
– Negado jamais

Se não é correspondido
O beijo não tem alma
– É pecado
Se não tem sentimento
É como fermento brando
Que murcha o amor por dentro
E desbota a face por fora

Pois melhor seria beijar
O vento que corre pra frente
Ou o rio que deságua no mar

 
     
 
   
     
   

 

     
 

Lágrimas que derramam sem parar
Lágrimas estranhas
Lágrimas açucaradas
Que derramam feito água
Sem derramar uma lágrima

Meus olhos lacrimejam
Por fraqueza ou debilidade
– Não por tristeza
Lacrimejam também
Por falta de estabilidade

Se a tristeza é grandeza
E faz os homens chorar
O meu choro não é triste
É sinal de desgosto
Que me deixa envergonhado
(E mais ainda desgostoso)

Não consigo me conter
Com essa represa de água
Desfigurada em meu rosto
Não consigo ver
Que todo esse choro sem nexo
É um sinal de fraqueza
De uma lágrima sem gosto

 
     
 
   
     
   

 

     
 

O vento sopra
As narinas dentro
Com seu par perfeito.

O vento uiva
Os ouvidos atentos
Com o primeiro alento.

O vento acalma
Aos nervos tão tensos
Que ao som se apaga.

Eu escuto o vento
Não vejo sua cor
Apenas sinto o clamor.

O vento corre
Pelo deserto frio
Ou pelo seco andar
De um mar bravio.

Que vento é esse
Que sobe nas ventas
E refresca o luar?

Por que o vento
Se me dou tão bem
Com o ar da paisagem?

E o vento – cadê?
Foi pra cima do sol
Ou pro opaco luar?

Onde está o vento
Subiu a montanha
Ou escondeu-se na entranha?

Quero apenas o vento
Pra sentir:
– Como sou por fora
E refletir:
– Como sou por dentro.

 
     
 
   
     
   

 

     
 

Ao barulho monótono
Escuto o som de suas pás
Girando ao redor do centro
Empurrando o ar para cá
Tornando frio o que é quente
E seco, o que é úmido.

Seu som é tão marcante
Que, mesmo sem vento, é importante
Seu barulho nos vicia
É como lembrança da natureza
O vento batendo no rosto
O momento de prazer intenso

De simplicidade à tona com o vento
De andar com os pés na areia
Cavalgar nas ondas no mar
Escutar a sinfonia da concha
Como trombeta de par em par

E pra cada um que olhemos
Vemos o som e ouvimos
O agradável vento que nos ensina
Que a vida é bem mais que uma pedra
É uma folha que nunca sai do lugar
Nasce verde e morre seca
E cai vetusta – pela força do vento a soprar.

 
     
 
   


 

           

 

 

Pedro Ernesto Gonçalves Damasceno
Natural de Fortaleza, Ceará, graduou-se em arquitetura e urbanismo pela UFC (agosto/2004). Recentemente passou numa seleção de mestrado em engenharia de transportes, também na UFC. Vai estudar durante um ano como “aluno especial”, para depois entrar como aluno regular no mestrado. Já estudou ciências da computação na Uece, mas acabou desistindo por questão de incompatibilidade com a área. Gosta de desenhar desde os 5 anos de idade e já participou de alguns concursos de desenho em sua tenra infância, obtendo boas colocações – em um deles ganhou um "forte apache" de presente! Gosta também de fazer pinturas a óleo, aprimorando-se gradativamente nessa forma de expressão artística, seja pela prática constante, seja por meio de leituras e pesquisas na internet. Também vem se aprimorando bastante no desenho de caricaturas a fim de se tornar conhecido no mercado de artes visuais (vide fotoblog abaixo). Há alguns anos vem descobrindo alguns pendores para criação literária (poesias, contos, piadas, artigos etc.) pelas quais espera amadurecer tanto na forma, quanto na maneira de expressar suas idéias e sentimentos.
Sites:
http://pegd.fotoblog.uol.com.br/
(Fotoblog com uma série de caricaturas de personalidades famosas.)
www.sobresites.com/arquitetura
(Contém links para diversos sites relacionados à arquitetura, ao urbanismo, ao paisagismo e temas afins.)