Deus proporciona a luz e a arte faz-se
Eu quero, eu sonho, e a ambição desfaz-se
Nestes dias chamo até mim a morte
Mas ela não vem, deixa-me à minha sorte
Eu clamo bem alto, vem a mim!
Mas ela não vem, a vida é assim
Sorte de quem a tem
Azar de quem não tem e procura a morte sem fim!
Neste momento mentalmente deprimente
A morte consome-me interiormente
Tento fugir mas não tenho onde me esconder
Resta-me esperar eternamente para morrer!
Como o Sábio disse, que o mundo unisse
Minha alma inverteu o processo
Deus assim quis que a felicidade me fugisse
Minha alma quebrou-se e deu-se o retrocesso
A alma cantou, eu realizo
Meu eterno reino se desfez
Quebrou-se o puro sorriso
Tudo aquilo que agora vês
Foi um dia digno de mito
Um ideal de sonhos e ambições
Que muitas vezes bombeou corações
Ou por vezes deu ar a pulmões
Cumpriu-se o mito e o sonho escorre
Esvai-se em pesadelos e a vida... morre
A ambição que abria o sol no céu
Tornou-se muda e escondida por um véu!
Talvez tenha cumprido a vida
Por isso agora a julgue perdida
Uma sombra do que foi e já não é paira no ar
Procurei em vitórias passadas algo por que lutar
Mas nada do que agora é alguma vez foi
O passado morreu e o futuro dói
O sagrado português desvaneceu-se
Deus oiça o meu desespero, Portugal matou-se
Se o meu eterno reino era o sonho português
Então o mito acabou-se
Assim o destino quis a minha ambição desmoronou-se
A minha voz anseia a morte
Minha insonsa alma sofreu um corte
Deslizam sonhos para fora do pensamento
E é com o ultimo sonho que eu fomento
Que vou tentando sobreviver
O sonho de a teu lado um dia morrer
Deixas surgir um pouco de sol no meu horizonte
És e serás a minha fonte
O trigo dourado da minha vida
O além-mar desta alma perdida
A resposta a esta voz quase sucumbida
A luz vermelha, antes desaparecida
Resta-me este sonho, esta ambição
Resta-me a esperança de que o amor cura o coração
E de que um novo mito traz realidade à ilusão
Apesar de inexistente o mito é muitas vezes a solução
Apesar da persistente dor
Contigo desvendo a orla vermelha do coração
És tu o único sonho a que dou valor
É por ti que o meu coração
Se mantém um instrumento de sonhos e ambição!
Jorge Miguel Lobato Magalhães de Brito Tem 17 anos e freqüenta o 12ºano.
Descobriu a poesia há pouco tempo, bastante influenciado pelos
sentimentos que o envolvem e a realidade do quotidiano. Fez algumas
publicações na Internet, como por exemplo, no link das "Palavras
d'Ouro" com os seus poemas "Relógio da vida" e a "Perfeita
imperfeição".