Porque hoje é domingo
E o dia despertou preguiçosamente bonito;
Vou te amar mais uma vez.
Mais uma vez vou te amar;
Porque hoje é domingo.
Mas se o telefone tocar
Se o cachorro latir
Se o carteiro no portão bater;
Não vou dar atenção.
Mais uma vez vou te amar
Porque hoje é domingo.
Porque hoje é domingo
Vou te servir café na cama.
E se meu flerte te causar espanto
Vou te amar mais uma vez.
Mais uma vez vou te amar;
Porque hoje é domingo.
Mas se o vizinho acordar
Se um temporal varrer a cidade
Se um terremoto balançar nossa cama;
Mais uma vez vou te amar
Porque hoje é domingo
Porque hoje é domingo
Não quero saber de compromisso.
Vou te amar mais uma vez
Mais uma vez vou te amar;
Porque hoje é domingo.
Mas se a noite chegar
Se a lua nos abençoar
Se o sol nascer com cara de segunda-feira;
Vou te amar mais uma vez.
Mais uma vez vou te amar
Porque você é meu eterno domingo.
Retalho sublime
Indumenta do viço
Casulo da carne
Pele da pele
Cinta íntima.
Veste para desnudar,
Revela muito mais do que esconde.
Bastão mágico
– Epiderme da boca –
Viscoso
Leitoso
Pastoso
Licoroso.
Toque de Midas:
Desperta o sublime que em ti habita.
Dô massagem:
Terápica
Linfática
Temática
Epidérmica
Tailandesa
Chinesa
Japonesa,
Massagem da lua.
Começo na cabeça e acabo no pé:
Só não dô na rua.
Não tenha fobia na estrada
Dirija sempre pela direita
Observe as placas
Respeite o semáforo
A faixa de pedestre
O guarda de trânsito.
Nunca dirija alcoolizado
Falando no celular
Com o cotovelo na janela
Fumando
Fazendo sexo
Na contra-mão.
Não pare em via de mão dupla
Se parar,
Pare no acostamento
Se não tiver,
Serve a vegetação.
Lembre-se:
As mulheres têm sempre preferência
E, se possível, não faça gestos obscenos
Não vale a pena:
Elas não usam viseiras
Mas só olham para frente.
Se for caso de acidente:
Respeite as crianças.
Primeiro as crianças
Depois os anciãos, mulheres.
O guarda deve ser o último a ser atropelado.
Afinal, ele só chega para registrar a ocorrência.
Gilio de Hollanda Poeta brasiliense radicado em
Anápolis, é fruto da pujante literatura virtual, que tem revelado
novas promessas para a poesia contemporânea. Em que pese não possuir
currículo com títulos publicados e outras comendas literárias, sua
obra, de tão oportuna e invulgar, não pode passar desapercebida por
todos aqueles que freqüentam o universo das letras virtuais.