Você entende a voz do choro
nas lágrimas das almas que morrem...
você chora na voz das lágrimas
a compreensão da morte de tolas almas...?
Sim,
você,
assim,
sim inescrutável nódulo,
o choro da voz,
as lágrimas que morrem das almas
e compelem o estrago da mente...
simplesmente,
mentirosa,
mentiroso,
desmente a tosca união da morte
na compreensão das lágrimas.
Te odeio por tudo,
meu irmão,
inimigo seu!
Por nada te amo sua irmã,
puta minha louca...
calmaria,
poesia,
calma,
putaria!
Inescrutável,
você,
assim,
na apetitosa cama da voz
que morrem todos os dias as esfomeadas almas,
trepando no indelével corpo,
no tracionado corpo tracionando
o genital profundo,
fundo,
ereto,
buraco imundo,
no reto...
Entende,
entende o cronograma simples
do ecúleo viril,
entende, entende,
dor,
morte,
chacina,
cadáver?
compreende,
sexo,
transa,
mete,
fede,
rapidinha,
danadinho,
isso sim,
danadinha!
Está bom,
devagar,
rápido,
rápido,
devagar;
lenta,
morte,
senta,
toma café,
feia ferida do pé,
lenta,
morte,
senta,
calejado pobre mata,
pobre menino da casa pobre,
mata.
Mata,
policial cancerígeno,
sistema leproso,
mata aquele que se mata de trabalhar,
você deita,
come,
dorme,
tv,
cine privê,
seu lazarento pau no cu,
vai se fodê!!!
vai se fodê!
Você, a voz do choro
nas profundas lágrimas
das almas não compreende.
Vai pra puta que o pariu,
você!
Palavras consumidas,
conjuradas,
metidas,
metilépticas;
vogais ejaculadas,
aladas,
seladas;
preveja vogal ejaculada
dos afilados instrumentos perversos
Versos:
orgias ególatras da nódoa,
da procela frugal onipotente;
corrosivas,
coativas,
versos, palavras, vogais.
Vício absinto,
abstrato
do estar de nunca ser:
solitário,
otário,
ótimo,
sólido ótimo solitário,
otário...
”oi rato, prazer...
Viciante sorte
na rarefeita prova
de morte.”
Decidir gramas de frescas gotas
salpicando chão,
línguas selvagens dedilhando tempo,
adensando pouco mais segundos
de menos muito fundindo auroras facciosas.
Rompe-se...
A rasa vala entre o incenso turvo
das árvores,
pompa-se, às ferozes horas lentas
gotejadas do relógio,
rompe-se,
rompe-se o fraco tendão do jubilo;
a evanescente angústia de vidro,
pompa-se.
se nas incríveis falhas do tempo
se nas encolhidas pétalas de panos
nossos ossos debruçarem saudades
debruçarem saudades de canto e pranto
minhas roupas queimarão como alho
teus sentimentos borboletearão
como miragens de santo
seguiremos ao contrário do meio-dia
do meio-dia pessoas despencarão em talheres
e tua íris
lacustre
íris ejaculará um selinho fanhoso
próximo ao meu queixo
Estive só,
A raiva fecunda estrangulava os dias,
amava tua boca de retrato desfigurado,
num gesto implacável,
beijava teus perfumes gostosos,
destruía em retalhos o seu gosto;
só imaginando,
a sua vida e os seus prantos escravos
imaginando a tristeza brusca
todos meus;
quedando num bico de vinho tinto.
torturados, meus orgulhos.
Minhas mãos não passavam
De lidos e repassados num corte nervoso
de acrobáticas tempestades
que deslizavam pela lâmina insatisfeita.
a correr a crescente do teu corpo.
Queria-te.
Estive só.
Cara
Estive só,
amava tua boca de retrato desfigurado,
beijava teus perfumes gostosos,
só imaginando,
imaginando a tristeza brusca
quedando num bico de vinho tinto.
Minhas mãos não passavam
de acrobáticas tempestades
a correr a crescente do teu corpo.
Estive só.
Diego Ramires
Coroa
A raiva fecunda estrangulava os dias,
num gesto implacável,
destruía em retalhos o seu gosto;
a sua vida e os seus prantos escravos
torturados, meus orgulhos.
De lidos e repassados num corte nervoso
que deslizavam pela lâmina insatisfeita.
Queria-te.
Inspirado no conto
"Eu Caio" de Raymundo Silveira
Alguma vez sentiu o medo refugiar sua mente?
E sua mente refugiar o medo, sentiu alguma vez?
Conhece a bendita sensação de vidros
salpicando seu rosto dilacerado?
Acontece que aquela matraca zumbindo
incessantemente no seu nariz não pára,
seu rosto destilando vagarosamente
aquelas abas viscosas de sangue,
seus braços agonizando
acima da porcelana tinta das xícaras,
que impacto pactuando
com suas dividas anteriores.
Só não compreendo o porquê
de recordar erros e obséquios agora,
quando lambendo o chão seu corpo está.
Eu sei, tu sabes, ele sabe,
nós sabemos, vós sabeis, eles sabem
da apática tragédia dos abusos e cálculos,
todos sabem que sua densa respiração
não quer pensar em mansos recintos.
Os alvéolos enfastiados ofegam,
ofegam, ofegam...
você trepida bruscamente
um pouquinho
e...
Diego Ramires Ponta Grossa – PR, 25/02/1983.
Escrevo desde os nove anos quando comecei a manifestar meus
sentimentos por uma paixão de infância. De lá para cá, muitos
amores, muitos livros, muitos poetas, muitos versos e cada vez mais
aumenta meu amor pela escrita e pelas musas da minha poesia.