Além
Do lar
Da sua intriga
Do seu emprego
E de seu chefe que
Vive dando em cima
De você e você tendo alguma
Coisa sempre a me esconder dentro
Fora por cima por baixo no meio e atrás
Creio que é a hora certa de partir para a Rússia
Virar um
soviét fazendo comerciais de privada nova
Deixar tudo como está depois de uns remédios e bebida
Estourar os miolos e deitar sentindo pela última vez o
Chão frio e engordurado da minha cozinha caseira
Escrever um poema que será póstumo e assistir
Todos vendo meu funeral branco e preto com
Rosas tulipas girassóis libélulas voando
E sanduíches de camarão agulha
Todos menos você vão estar
Chorando pois estará com
Ele usando heroína no
Motel de luxo onde
Sempre ia e vai
Perceber
Que foi
Nosso
fim

 
     
 
   
     
   

 

     
 

toda maldade do mundo estava lá.
nos olhos daquelas pessoas,
nos seios daquela mulher bonita.
toda maldade do mundo estava nos seus olhos,
que me olhavam.
toda maldade do mundo estava no rosto magro
e na borboleta tatuada na mão daquele homem.

um senhor dizia-se feliz por ser saudável.
toda maldade estava em sua cabeça e em sua mentira.
nossos copos eram a redenção.
uma desculpa.
a salvação.

quem nos servia era satanás.
quem nos cobrava era a vida,
triste
por estar nos perdendo a cada minuto.
toda maldade do mundo era você e eu.
seu corpo era o melhor pecado para se beber.
seu cheiro era o melhor perfume de flores em mausoléus.

você virou-se para mim e disse:
foi bom reencontrá-lo. adeus.
e eu pedi algo para satanás.

 
 

janeiro de 2005

 
     
 
   


 

           

 

 

Daniel Wiegel
Nasci em Bonn, Alemanha e vim para o Brasil com um ano e meio. Atualmente trabalho durante o dia e escrevo quando tenho tempo, ou seja, quando não estou trabalhando ou bebendo. Dificilmente faço mais de uma coisa por vez, porém o que escrevo é a junção de tudo. Nunca fui bom aluno e não completei faculdade alguma. Evito missas e acredito que não exista nada melhor que um par de belas pernas sob uma saia justa ou belos seios pulando fora do decote... É difícil ou quase impossível passar batido.