Sobe ereta
a linha geométrica
da catedral;
com seus sinos no alto
pendurados
perdoados
rompendo pausas.
Por quem os sinos dobram, afinal?
De onde as sombras brotam
nada sobra.
A vida é um excesso.
Procura de esconderijos
iscas lançadas aos dias
pistas perdidas aos montes.
Erva daninha.
Vaso ruim não quebra
coisa ruim não morre
todo amor um dia acaba.
Lições a gente apara.
II
Deus, te peço.
Da próxima vez que juntar os barros da existência
faça simples.
no ponto de escolhas
a árvore
se solta das folhas.
no desenho das sombras
a imagem
descarta as sobras.
Da próxima vez que juntar os barros da experiência
faça fácil.
que barulho estranho
os roncos dos troncos.
quase másculos
quase troços
me empoço de saber
e pergunto: pra quê?
Da próxima vez que juntar os barros do meu corpo
me faça ogro.
a vida passa num sopro,
pode ser um susto
uma calça larga de circo
picadeiro de lembranças.
a aparência engana
e quanta gente diz humana!
Da próxima vez que juntar os barros dos tijolos
faça logo.
costure tranças
dispense as traças.
salpique as raças de outras cores
nos dê mais sólidos que vapores.
Da próxima vez que juntar os barros de sua inspiração
me faça grão.
Carlos Alberto Francovig Filho Vencido pelo destino, invisível
estrada, sucumbi aos encantos da literatura. Doce ócio. De libra,
nasci aos 21 de outubro de 1960. Agora me lanço e lanço livre minha
literatura.