Quando me comes com teus olhos de menino pidão
Prazerosamente, deixo-me comprazer;
Se o calor obsceno domina minh'alma
Sinto o corpo entorpecer.
Tu me enlouqueces quando sopras um beijo inocente
Quando se faz de ausente, respiro a acidez do teu cheiro;
Meu olhar indiscreto desnuda um desejo cúmplice
Te possuo de corpo inteiro.
Quando a noite cai, invades meus sonhos
Desatinada e trôpega me deixo possuir;
Se teus úmidos lábios besuntam meu corpo
Do teu, sorvo licor e perfume.
A Jorge Viera Eschriqui
Química
Suor,
Formas em criação.
Cores
Fragrâncias,
Folhas e pétalas em harmonia.
Emoção
Fascínio,
Sentidos em confusão.
PLÁSTICO?!
Ainda corro contra o tempo,
Ele me é implacável...
Ainda navego sentimentos,
Ele me é indomável...
Ainda choro enquanto você sorri.
Ontem me fiz pranto,
Acordou-se em mim uma dor antiga...
Hoje me pego cantando,
Escondendo tristezas da vida...
Ainda me confortam pedaços de nostalgia.
Na parede um retrato adolescente envelhece
No cabideiro as traças devoram a casimira
No espelho entrevejo um rosto pálido
No travesseiro sinto o hálito forte de bebida.
Ainda descaminho no meu caminho.
Zuni um verso na escuridão;
Desenhou uma parábola
E despencou na noite fria.
O noctívago que contava estrelas
Descortina o facho de fogo.
Era um meteoro que caía.
Ébrio nas curvas do paralelepípedo
Acorda um resto de esperança;
Vislumbra sua estrela guia.
Já se faz verão
Minhas folhas caem;
Já se foram tantos anos
Que nem me lembro mais.
Você foi a flor que alegrou a minha vida,
Fostes minha eterna primavera
E minha melhor amiga.
Não nos frutificamos em nosso outono
Não germinaram as sementes no teu ovário;
Foram contidas em eterno sono
Sob a foice do lavrador cesáreo.
Nunca foi tão frio nosso inverno
Sempre nos sobrou um pouco de calor;
Hoje aquecemos ilusões e um outro cobertor.
Quantos suspiros a suspirar;
Nossas mãos a se tocar.
Quantos arquejos a arquejar;
Nossos corpos a bailar.
Quantos orgasmos a sentir;
Nossos corpos a se fundir.
Quantas energias consumidas
Neste gozo da vida.
Quantos pecados a se pecar;
Se ela se casar.
Quanta dor irei guardar;
Se ela me abandonar.
Quantos sonhos a se sonhar;
Se cruzarmos um distante olhar.
Quantos versos irão compor
Ao viver seu desamor.
Antonio Virgilio de Andrade Poeta e escritor pernambucano,
radicado em Brasília, tem se destacado pela simplicidade,
objetividade e irreverência de sua obra e uma marcante participação
em movimentos literários de diversos países latinos americano. Com
advento da Internet, sua obra literatura passou a ser publicada em
vários sítios literários em idioma português, espanhol e italiano,
fazendo por merecer apreço e respeito da comunidade virtual. Antonio
Virgilio de Andrade, cuja participação poética contempla uma linha
pessoal que navega do concreto ao cotidiano para descortinar mundos
abstratos, tem um fino sentido do sarcasmo e forte dose de ironia em
sua maneira especial em lidar com o sentido das palavras. Se por um
momento sua poesia tem a geometria da estrofe e o rigor da rima, de
outros, o verso é livre, genioso, romântico e de fugaz erotismo.
Em sua promissora carreira literária foi selecionado pelo Painel
Brasileiro de Novos Talentos para figurar no Catálogo brasileiro
de poesia contemporânea. Recebeu menção honrosa do Centro
Cultural de Aricanduva – São Paulo; premiado no VII Concurso
Internacional Literário de Outono; premiado no VI Concurso de Contos
promovido pela revista Ponto de Vista. Em 2002 sua coletânea
poética Rastilho de prosas foi selecionada pela Associação
dos Cegos e Ambliopes de Portugal – Acapo para compor o acervo de
obras publicadas em braile.
www.gargantadaserpente.com/autores/aandrade.shtml
www.arrakis.es/~joldan/ava.htm
www.ebooksbrasil.com/nacionais/msreader.html
kapacidade.no.sapo.pt/Trabalhos10.html
www.poesia-creativa.it/antoniovdeandrade.htm