Seguirei pela quinta avenida

Mesmo eu, sabedor da distância

Entre a Quinta Avenida

Ao Amor que Não Sei

Continuarei batendo as pernas por aí

Magrelo mago de âmago trincando

Triste, pênsil, fígado e baço

No quintal amarelo-rim dos dias de domingo

Nos pensamentos infinitóides

Desta minha adolescência

Que nunca termina de acabar;

Ficarão apenas o cu e os chinelos.

Dizia meu avô e seus bonecos

Ventríloquo há muitos anos

Desde quando os antepassados

Criam que a voz derivasse de ventre;

São Cristóvão do Quentasol

Fazes luz neste dia para meu amor,

Encenarei um teatro chinês

Por trás das cortinas

Apenas a sombra

Para que ainda não nos achemos

Para ainda sofrermos apaixonados

Aceitando a condição humana

de juntar as mãos, enlaçar os dedos

e amar. Vês as minhas mãos, veja-as amarradas.

Percebe meu deus, que os sinto. Eu vejo os anjos.

São Cristóvão do Que Era Eu

Diga agora que sou

Pois de passado já passei pesado,

Já me sinto retardado

Pela luz que pelo beco

Vem contra mim.

Por fim acabarei por estudar os pássaros

e serei capaz de dizer tudo o que eles são,

escrevendo um livro com ilustrações.

Por fim constelações passarão a ser

grandessíssimos pássaros, então escreverei sobre estrelas

e pássaros. Mais velho ainda direi sobre os cavalos,

relógios, sinos, coisas de metal antigo. Direi sobre o que dizerem.

Nunca diria nada sobre o amor, porque dele eu não sei,

posso construir um cata-vento, um moinho,

posso repintar as paredes de Sol das Cinco Horas,

mas sobre o amor nunca nada direi, nem sobre as horas.

Nunca terei coroa, um pulso fino, um pesinho 34

para poder desprezar a mim mesmo e sair como se nada houvesse acontecido.

Como seu eu nunca houvesse traído meu melhor amigo ou assassinado uma flor,

conservando seu corpo-flora em uma folha-seca de um livro palermo.

 
     
 
   


 

           

 

 

Alexandre Magno (Homine-siderale)
Nasci em Franca, SP, tenho dores no estômago desde quando li toda a poética de Rimbaud. Tenho hoje 18 anos e sou poeta desde quando nasci, no dia 4/3/1986. Posso lhes dizer sobre amores, pássaros, dores e rios que se vão. Sou considerado um gente boa, mesmo com meu raio-x amostra.