Quase todos nós, com a proximidade, ou ao final de cada ano, somos invadidos por sentimentos de solidariedade, de ternura e doação, que contagiam, encantam e comovem.

Tenho, por isso mesmo, algumas restrições quanto à emergência – deixar vir à tona –, de tais manifestações apenas nessa época. Promove-se, à guisa de confraternização, festas e reuniões, churrascos etc. etc... Tudo bem! A época é propícia!

A um dos ingredientes de tais comemorações dá-se o nome de "amigo oculto". Brincadeira gostosa e descontraída. Todavia, o período de descontração, de demonstração de amizade, é muito curto. Logo, e não poderia ser de outra forma, os problemas do dia-a-dia se sobrepõem ao desejo de que cada um tenha um ano melhor, e os votos de felicidades então desejados tornam-se apenas uma remota recordação. Não cogito nem posso pretender que façamos, que promovamos festas o ano todo. Os problemas são inevitáveis e certamente surgirão. No trabalho, na luta pela sobrevivência, pela ascendência profissional; as discordâncias eventuais e toda problemática que uma relação envolve.

Mas sabendo que é no trabalho que passamos a maior parte do nosso tempo, sugiro que o tornemos – como nos fins de anos –, mais ameno, mais afável, mais saudável! Que sejamos mais leais, mais sinceros, mais irmãos todos os dias. Que no decorrer do ano todo, tentemos diminuir a aflição, os tropeços e as dificuldades que cada um venha a ter que passar.

Discórdia, disse-me-disse... deixemos para as pessoas "menores", aquelas de cabeça e coração pequenos. Procuremos ajudá-las, isto sim, a crescerem.

Que cada um de nós possa ter o discernimento, a abnegação de ver o outro, nosso companheiro, do tamanho que ele realmente é, e não do tamanho que gostaríamos que ele fosse. Todos, no contexto geral são úteis!

Agindo assim, estaremos dando mais confiança, mais consistência e tranqüilidade àqueles que nos dirigem.

E o mais importante, DEUS, onde estiver, assim poderá manifestar-SE: "Existe, na imensidão do universo, um lugar onde um grupo de pessoas trabalha e tenta conviver em paz. A quem posso chamar... MEUS FILHOS!"

 
     
 
   
     
   

 

     
 

Acredito que a maioria das pessoas deva ter tido em alguma ocasião de suas vidas a oportunidade de passar, nas primeiras horas – geralmente de um domingo –, defronte a um clube, onde, na noite anterior, tenha acontecido uma festa, um baile.

Um abandono!

Copos de plástico, sujos e amassados, jogados na rua; cacos de garrafas deixados num canto qualquer; papéis em pedaços, bailando no ar à mercê do vento. Um ou outro cachorro revirando latas de lixo à procura de restos de comida... e o silêncio.

Enfim, um cenário comum nas cidades, mormente nos fins de semana. Mas seria também comum imaginar que uma pessoa pudesse sentir algo parecido no mais íntimo de si?

Pois sente!

E isso ocorre quando alguém, não interessa se com permissão ou não, resolve entrar em nossa vida, mais precisamente em nosso coração.

Apossa-se dele, faz festa, enche-o de esperanças, completa-o e de repente vai embora. Desaparece. Pronto! Instala-se em nós aquele clima de fim de festa, ao qual me reportei no início. E aí, haja ânimo e coragem para se colocar as coisas novamente em ordem. Arrumar sentimentos, ordená-los, não é o mesmo que arrumar uma casa depois de uma festa.

É diferente e muito pior: dói!

Além disso, arrumar o quê? Fica um vazio, como se um vendaval tivesse nos surpreendido e tudo de nós levado. Sem nos darmos conta percebemos que tudo mudou, que tudo se desfez... a música calou!

Copos que brindavam esperança, amor, jazem agora vazios: cacos de garrafas cortam e fazem sangrar como uma ferida aberta... afora isso, a quietude... O silêncio interrompido apenas pelo surdo soar de um andar trôpego, meio bêbado, nas ruas nuas, de quem não tem para onde ir. Mas que apesar de tudo, mesmo sem rumo, sabe que é preciso continuar...

De que forma, só Deus sabe!

 
     
 
   


 

           

 

 

Ivan Ramos Coutinho
55 anos, administrador hospitalar, nascido e residente em Itaú de Minas, MG. Casado, 3 filhos, 3 netos. Ex-secretário de Saúde de minha cidade, hoje aposentado. O gosto pela literatura nasceu e persiste pelo "vício" da leitura, já que não tenho formação acadêmica pertinente. Todavia, vou continuar escrevendo e publicarei um livro muito brevemente... Até lá, continuo estudando e aprimorando meus textos.