Nunca usei essa palavra para definir minhas escapadas. O termo
correto é esse mesmo: escapadas. Casei muito garoto, a Elza foi
praticamente minha primeira mulher. Eu era novo, inexperiente, fui
tendo outras mulheres para aprender. Mas são assim, como amigas.
Jamais uma delas ameaçou a ordem da minha vida, a minha família.
Quer dizer, eu saía com alguém, se rolasse um sentimento a gente
transava e era só isso. Mas aí, a Elza começou a viajar por causa do
trabalho dela. Quase todo mês ela ficava fora de casa cinco, seis
dias. E começou a mudar, entendeu? Cortou o cabelo, se encheu de
roupas novas, foi aprender inglês, parecia mais animada. No começo
eu não me liguei porque minha mulher me adora, entendeu? Mas depois
fiquei pensando... será? Quando falei sobre isso com ela, primeira
ela riu muito. Quando viu que era sério, ficou indignada. Gritou
comigo, perguntou o que eu estava pensando, que ela não admitia e
tal. Tentei mais umas vezes, mas a fúria dela só aumentava. Aí, para
garantir a tranqüilidade do meu casamento, resolvi deixar pra lá.
Claro que às vezes os pensamentos voltam e eu fico muito nervoso.
Porque mulher é diferente de homem, entendeu? Homem trai pelo
momento, mas mulher só trai se estiver muito envolvida. Por isso,
resolvi assegurar o casamento. Afinal, temos uma vida boa, somos
amigos. Além disso, se me separasse, teria que fazer a partilha dos
bens, o que seria péssimo. O patrimônio que temos demorou quinze
anos para ser construído. Não vale a pena jogar tudo para o alto por
causa de uma suspeita. Se pensar muito, vou me convencer de que fui
traído. Por isso prefiro não pensar.
(in Crônicas de quase amor)
Fabia Vitiello de Azevedo Cardoso Tenho 33 anos, sou casada, e tenho
seis gatos neurastênicos e um cachorro doido. Dou aulas de idiomas e
tenho um curso de arte na história, que é on line e é uma graça de
curso. Tenho um livro publicado pela Editora Iglu, Crônicas de quase
amor, e estou procurando editora pro segundo livro... eu e a torcida
do Corínthians, hohoho. Fumo, bebo, falo palavrão, sou meio amarga e
parei de roer as unhas. Sou colunista do Jornal Meio Norte em Terezina, da revista on line
Tsc Tsc Tsc e do site de culinária da
Globo.com, o Bem Feitinho. E tenho um blog que é meu orgulho e minha
alegria:
www.dropsdafal.blogbrasil.com