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“Lanço-me ao leito, exausto da fadiga”.
Enquanto me ocorre este verso, exatamente
e, sem saber por que Shakespeare diria
“exausto da fadiga”, pleonasticamente,
peço que meu Anjo da Guarda me bendiga
e Boa Noite!, digo.
Então, do canto de meus olhos fechados
uma Idéia me espreita e, num farfalho,
pé ante pé, abre a porta do meu sono
ameaçando o descanso merecido.
Penso no outro dia, penso no trabalho
e Boa Noite!, digo.
Mas a Idéia, não sei se surda ou sonsa,
pelo atalho de um fio de cabelo
invade meu cérebro e ali se instala.
Eu, como se minha noite previsse,
faço um último apelo:
Boa Noite, já disse!
Como a Idéia, parece, não me ouve,
travamos no escuro um desigual embate,
eu, ela e seus aliados:
a porta que range, o cachorro que late.
E, sem forças, murmuro (a voz rouca)
Boa noite, Louca!
Enfim, quando dolorosamente entendo
o que seja estar “exausto da fadiga”
e me rendo à minha Idéia,
ela dorme feliz
na barra do sol que, nascendo,
sorri, me pisca um olho e diz:
Bom dia!
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