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Tão linda és, princesa!
Foi a natureza, pródiga em ofertar-lhe dotes.
A voz, os cabelos, o corpo, os trejeitos...
A altivez, a vaidade, a esplendorosa beleza...
Nas trilhas do viver, olhávamos os passos um do outro,
Sem nunca um encontro viabilizar.
Eu, pela distância que me impunhas,
Ao inscrever-me no final da lista de teus admiradores.
Você, porque a multidão de fãs e os holofotes impediam.
Eis-nos agora, na mesma caminhada, lado a lado.
A natureza, não por zanga, cobrou-nos as virtudes físicas,
Retirando-nos a beleza, para que pudesse conceder-nos a experiência.
Então, a violência do gostar acalmou e a
Dosou no êxtase espiritual, acomodando-a no conforto do amar.
E a paciência, outrora escondida pela euforia
E acortinada pela ansiedade, apresentou-se soberana.
Desfalecestes prostrada!
Renasci... compreensivo com tal.
Meu aprendizado, forjado na espera, transbordou no ofertar,
E podando-lhe a soberba, dentre tais descartáveis sentimentos,
desnudei-te...
És tão linda, rainha!
Como a velhice é pródiga no ofertar-lhe dotes:
O carinho, a atenção, a compreensão, o olhar, as lágrimas... o amar.
Nas trilhas do viver, nossos passos distanciaram-se,
Nossos corpos... jamais se encontrarão!
Meu coração, de tanto amor, explodiu.
Multipliquei-me...
Eu agora, mil escravos de teus desejos,
E você, senhora virtuosa, reinando serenamente, na abstenção!
A pior de todas... a abstenção de mim!
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