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Em que lugar está o teu corpo
Frederico Garcia Lorca
Em que campanário, que padoque
Em que chafariz ou olival?
A tua vida é nossa, Frederico
Nas tabernas, nas touradas
Mas o teu corpo em que pedra
Está em enfrentações, na cal?
(Uma só morte não te mata, Frederico
Nem parasitas ou déspotas
Pois que és vislumbre cigano
Num espírito de luz-ninhal)
Em que sonhos vives, Frederico
De justiça ou libertação?
Teu grito ainda se ouvirá
Por séculos desse abissal
No teatro estás, Frederico
Puro, limpo, arauto, popular
Tua é a alma da Espanha
Antes e muito depois desse sal
Que anjo agora és, Frederico
Em Granada ou em Madri?
Que fibra nos despertaste
De oleiro do povo madrigal?
(A saudade nos dói, Frederico
Pois que ainda ressoa o tiro
Que a tua sensibilidade feriu
E te ascendeu ao eternal)
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Em que canteiro brota teu ser
Frederico Garcia Lorca
Nas odes em que te louvamos
Ou num não-lugar, no Terreal?
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