Você já pegou as Letras do Caetano Veloso
Para ler direito em vez de só simplesmente ouvir?
Pense no Haiti-Carandiru mas pegue as letras no estojo
Para você poder se situar – e escolher se Sentir

E senti-las em grudes – as palavras rimam
Porque as Letras do Caetano Veloso brilham
Como carvão vegetal
Na escuridão mental dos horrores
E sirvam-se radicais frilas
Porque as Letras de Caetano Veloso dizem sabores
Coisas que soadas não falam cores
É preciso portanto um atiçado lê-las
As Letras de Caetano Veloso têm estrelas

Porque hoje é sábado tire o encarte colorido
Da capa do qualquer um jóia mesmo cedê
Você pega umas e outras no embalo havido
Desliga o som cáustico e as letras todas lê

As Letras de Caetano Veloso – craque da MPB
São letras que adbduzem a mim e a você
As Letras de Caetano Veloso tem a subtração
Do que desdizem na exato mosaico de fragmentação
E nas entrelinhas dizem coisas claras como sumo em pó
Criando pêlo em ovo e sol maior sem dó

As Letras de Caetano Veloso precisam ser lidas
E divulgadas como mensagens de santos suicidas
Pois trazem sapiências que só compreenderemos quando
Descobrirmos que Caetano Veloso não é um só – mas um bando
E diz exatamente um bando loquaz quando
Atrás de si, todo elétrico sempre sai soando...

As Letras de Caetano Veloso têm um pan-concretismo
Usando um experimentalismo todo cínico-irônico com sofismo
Que ele dodecafônico tira música de pedra e a poesia rima
Cantando bregas baladas ainda cem por cento por cima

As Letras de Caetano Veloso merecem ser revistas
E almanaques e ensaios – e até Antrologias
Saque um encarte mãos ao alto e siga as pistas
Puras dialéticas faladas em sons e poesias

As Letras de Caetano Veloso têm tudo a ler
Experimente desligar o som são tantas as esgrimas
Na retina da lucidez o achado é jazida de puro prazer
As latinidades pós-modernas com macunaímas

Por isso ao ouvir Caetano Veloso sem as Letras
Pense na Dona Canô, no grande palco-philco da Grã Bethânia
Mas pregue o encarte no olhar zen e adquira as trombetas
Que ele berra para muito além desse gueto marginália infâmia

O Haiti-Sampa é aonde você for
Alegria-Alegria mesmo qualquer esparramo amor
Porque o Caetano Vianna Telles Veloso poeta-cantor
É gomo além pop como um sabor
De menta-eucaliptal ou levedo-andor
Pimenta-cajá-hortelã-ariticum
Sempre meio a meio em infinito UM.

As Letras de Caetano Veloso dizem
Mais do que você mesmo pode supor-ver
E enxergar no claro é não ter picumã-fuligem
Em uma alumbrada iluminura interior prazer
Como fruta-pão – pássaro-flor
Moenda e caroço uns e outros são e vão e hão
No labiríntico tropical dessa alumbração

As Letras de Caetano Veloso são os olhos ultrapássaros dele
DENTRO E SOBRE TODAS AS COISAS
 
 

 
       
   
 

         
         
   

Em que lugar está o teu corpo
Frederico Garcia Lorca
Em que campanário, que padoque
Em que chafariz ou olival?

A tua vida é nossa, Frederico
Nas tabernas, nas touradas
Mas o teu corpo em que pedra
Está em enfrentações, na cal?

(Uma só morte não te mata, Frederico
Nem parasitas ou déspotas
Pois que és vislumbre cigano
Num espírito de luz-ninhal)

Em que sonhos vives, Frederico
De justiça ou libertação?
Teu grito ainda se ouvirá
Por séculos desse abissal

No teatro estás, Frederico
Puro, limpo, arauto, popular
Tua é a alma da Espanha
Antes e muito depois desse sal

Que anjo agora és, Frederico
Em Granada ou em Madri?
Que fibra nos despertaste
De oleiro do povo madrigal?

(A saudade nos dói, Frederico
Pois que ainda ressoa o tiro
Que a tua sensibilidade feriu
E te ascendeu ao eternal)
.................................................
Em que canteiro brota teu ser
Frederico Garcia Lorca
Nas odes em que te louvamos
Ou num não-lugar, no Terreal?
 
 

   
         
     
 

 
         
         
   

O Palhaço Forfé se pinta
E bota um pé grandão
Com um nariz vermelho
Ele faz gozação...

E faz várias piruetas
Apronta palhaçada
Alegra todo o Circo Sol
Faz rir a criançada

O Palhaço Forfé vive
Em gracezas, festivo
Não deveria ser assim
Todo bom ser vivo?

– Ladrão de mulher
O palhaço se diz
Mas sabe o que ele é?
– É só um bobo feliz

E conta lorota
E pinta o caneco
E vira cambota
Feito um boneco

Pro Forfé o aplauso
É do começo ao fim
É bonito um palhaço
Fazendo farra assim
.........................
Mas quando ele tira a pintura
Fica esquisito, tristonho
Ninguém o reconhece, ou procura
Além do mundo do sonho...

Então ele se arrepia
Fica brabo, nervoso
Tirando a fantasia
Já não é tão gracioso

(O palhaço, pintado
É uma outra pessoa
Pois fica encantado
E de si mesmo caçoa)
...................
Que bendito seja
Todo palhaço assim
Deixando sua tristeza
Toda no camarim
 
 

   
         
     
 

 
         
         
   

Não posso voltar para Itararé
Itararé não é só um lugar
Itararé está comigo por onde vou
Assim Itararé eu me sou.

Não posso deixar de ser Itararé
Itararé não é só um espaço
Sendo eu Itararé tão completamente
Sou-me Itararé incandescente.

Não posso voltar para Itararé
Se estou Itararé em mim
E sendo um lado Sentidor o que se é
Viver-me-ei muito além do fim

E crendo eu-me então Itararé
Saudade, terra e coração
Todo plena desse imenso amor
Vou ser-me Itararé aonde for

Assim nunca deixarei Itararé
Tenho-a introjetada na alma-poesia
E sou-me essa Itararé todo santo dia
Passo a passo, amor, caridade e fé

E também sendo Itararé espiritualmente
De aura, halo e brilho terreal até
Serei Itararé muito além de para sempre
Brilhando eternamente sobre Itararé...
 
 

   
         

 

     


 

 

Silas Corrêa Leite
Poeta, educador, jornalista. Pós-graduado em Literatura, Comunicação, Relações Raciais e Inteligência Emocional. Autor de Trilhas & Iluminuras, poemas, Editora Grafite (RS), 1995. Autor dos e-books (livros virtuais) Ele está no meio de nós e o pioneiro, de vanguarda e único no gênero chamado O Rinoceronte de Clarice – onze ficções fantásticas com três finais cada, um feliz, um de tragédia e um politicamente incorreto, (mais de 60 mil downloads), ambos no site www.hotbook.com.br.
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
Romance Ele está no meio de nós no site
www.hotbook.com.br/int01scl.htm