|
|
|
Estou serena e putamente atordoado. Doado sem me dar. Desautorizado. Estou. Não atino o que comigo se dá. Intuo, no entanto, algo pairando no ar. Parando não. Quase! Algo finito, mas indefinido. O fim define o quê? Nada? Pode ser! Como detesto comiserações vou me resguardando. Só. Para guardar, tenho nada. Que importa? Ocupo espaço restrito no meu mundo. No mundo, ocupo nenhum. Ainda assim, me perdi em claras vias e vielas e obscuros vínculos, no tráfego difuso em que se transformou meu vir e ir. Meu viver. Nem ser. Estar menos ainda. Poder-se-ia chamar a isso vida? Puxa vida! Mas pode até poder. Importa o quê? Importa em nada. Vida sem ônus, sem lucro. Difícil de ser vivida. Fácil, se suprimida. Com sentido. Transfigurado, Desfigurado. Configurado. Em mortalha. Quando, pois, se perdem, por motivos vários, os vários motivos que norteiam nossos andares, trôpegos e torpes, presume-se a chegada do nada. Ainda bem! Pensava, por tolo ser e tolamente pensar, não ter a morte nenhuma utilidade, a não ser a de sanear esgotos e sanar engodos. E enganos. Triste tônica de todos os meus dias.
E noites. |
||||
|
Ivan Ramos Coutinho |