Quero calar na tua boca
os ais de meus desejos
mil desejos
calar nos meus peitos
os ais de teus desejos
tantos desejos.

 

Minha boca morena
de batom vermelho
te queima.
Te queima
a brasa viva
da ponta de meus peitos.

     
     
     
 

 
         
         
   

Quando chove
a lembrança de você fica mais nítida.
Acho que são os momentos felizes
que nós vivemos debaixo de chuva.
Talvez seja
nós dois andando de bicicleta.
mas agora, a chuva já passou,
acendo um cigarro
e fico olhando o pátio molhado,
essa paisagem envernizada.
Sua lembrança voa para longe:
uma mariposa
atraída por outra luz.
 
 

   
         
     
     

 

A primeira vez que o vi, ele estava no píer.
Talvez por isso eu ache que ele é
um homem do mar.
Um jeito marítimo de andar, de
segurar o cigarro, de olhar.
O olhar...
Aquele olhar preto que até hoje
procuro sem encontrar.

 

     
     
     
     

 

Começara pelo vermelho
a cor da roupa,
das unhas,
dos olhos.
Depois passara ao sentimento
vermelho
alma ensangüentada
– winter afternoons –
fazer amor
sob um cobertor vermelho.

 

     
     
     
     

Hoje,
não vou me pintar.
Acordei em preto e branco.

 

Fim de tarde
de mais um inverno
ao qual sobrevivo.

Sinto pesado
o coração vazio.

     
     
     
     

Nesta tarde
Fria,
Tudo é você.

 

Embasbacada,
Estupefata,
Pasma.

Diante de tua nudez...

     
     
     
     

Tua pele
Brilha
Molhada de mar
À luz da lua

Colchão de areia
(gostoso pra amar...)

 

teu nome,
não o pseudônimo,
teu nome

quero dizê-lo,
ao teu ouvido,
alisando tuas costas,
bem sussurra-a-a-a-ado

como o vento soprando nessas palmeiras...

     
     

 

     


 

 

Margarete Lopes Iung
Nasci em Maringá e moro aqui desde então. Sou tão fincada nesta terra que casei e descasei duas vezes e não sai da mesma rua. Apenas mudei de casa... Comecei a cursar História, Letras e Educação Física. Não fui até o fim em nenhum dos cursos. Acabei me formando em "Filhosofia". Sou mãe da Lara, das gêmeas Nádia e Naiara e da Rita, portanto, PhD no assunto... Sou Secretária na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Estadual de Maringá. Adoro ler. Leio desde os créditos das revistas até bula de remédio. Mas não sou o tipo de pessoa que lê um livro a cada quatro dias. Poesia eu leio quase todos os dias. Principalmente depois que eu andei achando umas coisas interessantíssimas na net! Gosto de escrever e, levando-se em conta o que a palavra “escritor” encerra, sou escritora. Bissexta, mas sou. Não tenho pretensões de viver de literatura, nem de publicar muitas coisas. Uma poesia aqui, outra ali, tá bom. Gosto muito de escrever e receber cartas, mesmo que por e-mail.