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Da análise do ser-que-é que conforma a
poesia
e do que-é-ser que conforma a humanidade.
Um viandante farroupilho
Caminha desolado e só
Sobre o restolhal. É dia.
Queima o Sol as pontas dos cabelos,
E o calor, as plantas grossas e insensíveis.
Não ouvem os ventos seu reclamar.
O Tempo lhe é um açoite
De couro que marca o couro
– Deixa cicatrizes no Outono.
Num quarto escuro em seu alto,
Dançam fantasmas antigos
Aos gritos e mais gritos.
O viandante farroupilho,
Caminha desolado e só
Sobre o restolhal. É noite.
A luz azul bate às copas verdes,
Que os ventos batem aos urros,
Que os ecos galopam aos gritos.
Faz estremecer suas paredes
O clangor atordoante do Inverno,
Sob o firmamento que vai caindo.
Pisa porções d'águas impuras,
Desfaz reflexos escuros na água
Enquanto não cessam os fantasmas.
Viandante farroupilho,
Caminha desolado e só
Sobre o restolhal. É ele!
O caminho desolado da solidão,
A caminhada solitária do Tempo,
O restolho dos dias e noites.
Imagem andrajosa da esperança,
Que conforma os trapos da Primavera,
Que é campo de batalha e Elísio a um só tempo.
Há poesia mais bela em seus farrapos
Que nas matizes das estações;
E verdades mais humanas em seus fantasmas
Que em toda poesia da humanidade.
(Recife-PE, 05.09.04)
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