Hoje acordei com a cabeça pesada
nauseado a boca amarga
as mãos trêmulas os olhos
com excesso de secreção
e com uma enorme
vontade
de
mandar à merda
todas as minhas paixões
todos os meus desa
fetos.
Liguei o foda-se e da
rei porradas, jabs e uppercuts
Que um dia já pulsou um campeão em minhas veias
(esse caule em tédio que suporta a carne que carrego extenuado)
Eia!
Não
não quero ninguém
perto de mim enchendo o saco
os inquisidores
os patrulheiros
os ecos não direi chatos pra não
ferir suscetibilidades
os puxa-sacos
os que andam de 4
aleijados da ética sub
missa
sem deus, santo ou nossa senhora das dores qualquer
dizendo com as mãos postas nervosas juntas trêmulas
sim senhor

Sim senhor!
hoje quero mandar à merda todos
estes putos patricinhas satãs mulheres
estas xoxotas que se esgueiram em minha insignificante vida
este blablablá sem fim
já que as soluções são coisas simples
as
mari mary
posas
marias olindas armindas
as pu
ras as putas
os bombeiros
proxenetas marombeiros
as trombetas dos salvadores
os chavões que
escrevo e o politicamente errado
torto e
o diabo a quatro
estão sempre rodilhando balbuciantes
a pátria é amada estuprada salve salve

salve-se quem puder! diria meu amigo Titão
dito Sebastião
a verdade sagrada dos esquer
ditas assim como dog
mas
em qualquer momento ou con
texto
que torram os olhos o saco o ouvido
ol vida, criança?
a paciência de qual
quer pessoa de bom
senso
que se conta nos de
dos
pés
que as mãos es
tão
ocupadas en
fiar nossas esperanças pou
panças
no bol
so
para galgar o mundo
e se besuntar na mar
melada
de suas lágrimas secas
como carne de sol de um nordeste
distante
tenham dó!
isto con
gela
meu peito só de pensar em você, E
sem enxergar
que místico não sou

e que o tem
po há de sugar e me deixar
definhando como um boi cangueiro
numa caatinga qual
quer me dar nova
mente aquela vontade danada
de gemer num canto pra chamar atenção
e como ninguém se importa
hipócrita que sou
vou dormir que amanhã tenho trabalho.

 
 

   
         
     
 

 

 

         
         
   

/Onde é que você vai?
/Amiúde
/Me pergunta E
/Como se fosse uma sombra
/Passeando em seu jardim inexistente
/Como se eu fosse um fardo em sua vida
/Este é o problema

/E eu com o corpo cansado
/Delirando meu drama como um tango de Gardel
/Ou com um Prélude in E Minor de Chopin.
/Tenho minhas dúvidas em qual me apoiar
/Cinicamente
/Prefiro chorar com um bolero de Lucho Gattica
/Mas não encontro meus long-plays
/Também pra que encontrar se minha vitrola hi-fi está quebrada?

/Largo o jornal no sofá
/E apenas respondo abstrações
/Aos amantes tudo é permitido
/(O ridículo só vem à tona quando finda a paixão)
/Mas as portas estão fechadas
/Deverias ao menos destrancá-las
/E assim poderia te dizer
/Alguma filosofia de botequim que escutei ontem
/Alguma coisa profunda, amada minha
/Que canalhas como eu cospem sem se importar
/Com os ouvintes (bêbados como eu) que escutam enternecidos
/Os olhos anuviados
/E mais nada
/My god
/Exala de mim
/Apenas um sono inquieto
/O que não é bom diz meu médico
/Tome uma cápsula de Rivotril 20 mg e tudo estará bem
/Mal sabe ele que os sonhos não acabam
/Apenas envelhecem
/E viram poeira da vida
/Outrora
/Meu pai diria Amém! se estivesse vivo
/Mas isto é outra história
/Que meu psicanalista não quer que eu revele
/Paciência...

 
 

   
         
     
 

 
         
         
   

I

Meus olhos buscam flores
num emaranhado muscular
de carros pela avenida.

Meus olhos te buscam
retinomaníacos
anoitecidos pela loucura de beber
seu vasto perfume.

Meus olhos buscam lembranças
num desvario conciso e sinistro
amarrotado
em papéis largados
em tragédias e chacinas.
Ah! E se coloco minha gravata italiana?

II

Eu quero rever meu passado
(re) ver
o que te prende
carnalmente
espiritualmente
em mim.

O que sucede
se nas dimensões sutis de meu eu
renasço?
Renasço entendiado
mas renasço
e no entanto
este silêncio de flores se agitando
este roçar de cio brotando
me deixa numa completa paz
e mais nada.

III

Esta noite chove
embora o Serviço Meteorológico
tenha previsto tempo bom.

Vejo casais namorando no Beco
não estariam lá se o Serviço Meteorológico
tivesse acertado no tempo.
Tenho vontade de rir
e só faço sonhar
sensualidades concretamente histéricas.

IV

Meus olhos buscam
a mesquinhez de mim
e no entanto os bondes já se foram
só se ouvem os gritos apressados
em círculos de bárbaros em abs
trata vida.

V

Eu tenho de sair brilhando
de um banho eucaliptol
ser menino
não é necessariamente ser menino.

Eu tenho de ser as palavras ditas no ouvido
acreditadas no coração
sentidas
e pareço tê-las esquecidas
num sabor de fúria desmedida
em febre de visões distorcidas e lancinantes
em lembranças
passadas
amarradas
num cordão de ouro
a mil e quinhentos o grama.

VI

Você quando passa
fico estático
e penso em ser o seu Ser
e penso
em ser o seu momento
pretensiosamente
e tenho medo.

Oh! My dear tomemos um Seven Up
um Mate Couro
as flores nascem
numa catarse exagerada
e na sombra de seus olhos
feri-me
e pronto.

 
 

   
         

 

     


 

 

Duayer
Nasceu em Tombos, Minas Gerais e reside no Rio de Janeiro. É jornalista e hoje trabalha como assessor de imprensa. Começou na Rádio Jornal do Brasil, depois foi para O Pasquim e lá ficou como ilustrador, cartunista, fotógrafo e redator bissexto. Teve trabalhos publicados nos jornais Última Hora, Diário de Notícias, Jornal do Brasil, A Crítica; em revistas nacionais como Playboy, Status, Mad, Ficção, Revista do Faustão, Visão e em revistas internacionais como Free Press na Holanda, Liberation, na França, World Press Review, nos Estados Unidos; possui algumas premiações em fotografia e cartuns.
Bibliografia
1. No País das Maravilhas – Editora Codecri, 1981 – Cartuns e Charges
2. Viajante – Editora Callis, 1998 – Infantil
3. Minha Casa – Editora Callis, 1989 – Infantil
4. Obras Coletivas:
Zensur in Brasilien – Suécia
Brasilien, der Proteste der Polischen Gefangenen – Alemanha
Enciclopédia Latino-Americana de Humor – Colômbia
Nuestro Siglo – México
Enciclopédia Brasileira de Humor – Brasil