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Levei muitos anos para saber disso. E confesso que, interiormente, lá bem no fundo, ainda espero O Final Feliz! Não existe Final Feliz. O que existe é um caminho Feliz. A construção do dia-a-dia, as vitórias, as surpresas e as tristezas. Quando eu era mais jovem, eu falava, agia, reagia, a diferença era a falta de consciência, a inconseqüência no sentido de não preocupação em analisar e apreender a razão e as decorrências de algumas coisas. Eram e pronto. Agora, já na casa dos “enta”, percebo que é mais fácil entender o andamento das coisas se pararmos e fizermos um balanço de tudo o que houve até hoje em nossas vidas, como um leitor de um livro, e procurar entender os meandros das regras, dessa Escola fabulosa que é a Vida! Sou novata nesse aprendizado e a cada dia que passa fico mais entusiasmada com os conhecimentos que estou adquirindo! Perdi muito tempo procurando a Minha Verdade. Cada um constrói sua verdade, a cada dia, com suas ações, suas reações e suas posições. A busca, cartesiana, de uma definição lógica para a nossa existência, tolhe a imaginação e a criatividade. Quando se descobre ter o Poder de determinar para sua própria Vida o Certo e o Errado é assustador... você vai ter que sair de cima do muro e dizer pro mundo quem você é. Às vezes você leva uma vida toda construindo uma auto-imagem tão irreal que quando você mostra verdadeiramente a Sua Cara, as pessoas se surpreendem! Muitas delas tinham certeza de você iria sucumbir. Mas você Ressurge. Ressurge das sombras do inconformismo e inicia sua camaleônica renovação. Seria a quarta! Ou a Sétima! Ouvi certa feita a história da renovação das Águias. Tem um momento da vida que elas têm que optar por ressurgir para a vida ou morrer de velhice. As penas caem, o bico apodrece e ela vai para o alto de uma montanha e decide se vai ter coragem de bater com o bico na pedra até ele cair e nascer outro e puxar todas as penas restantes para que nasçam outras, novas. As águias que têm coragem renascem e vivem por mais tempo, as que não têm... simplesmente morrem. Assim é na Vida.
Você tem que escolher se quer ressurgir ou morrer. Se quer vencer ou
perder. |
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Todos querem o Amor. Mas não vivem sem a Paixão. A Paixão esquenta o sangue. Nos deixa vivos. Alimenta o ego e a auto-estima. Estimula a adrenalina. A Paixão é totalmente ilógica e telúrica. É a essência de cada um. Verdade interior. A Revelação dos mais profundos desejos. O lado “dark” de cada personalidade. A Paixão traz angústia e prazer. A pior angústia e o maior prazer. O único problema da paixão é não ser amor. Mas o Amor tem o mesmo paradigma; Não é Paixão. No Amor tudo é cartesianamente previsível.
A tranqüilidade da monotonia chega a ser agradavelmente aceita. Não precisamos ter medo de nada. O Amor é um porto seguro. Companheiro de todos os momentos. Mas e aquele arrepio na espinha! E o bater mais forte do coração quando marcamos um encontro! O estranhamente agradável masoquismo em se brigar por nada, para poder fazer as pazes e sentir Tudo Aquilo novamente... Não sei onde estava com a minha cabeça quando disse que queria me apaixonar por alguém! É tão tranqüilo saber que vai passar o fim de semana almoçando tranqüilamente em casa e depois deitando no sofá ou na cama, com aquela roupinha velha e confortável, para ver juntinho o Faustão e todas aquelas mesmices de todo domingo! Na Paixão, passamos a semana toda procurando Aquela roupa, usamos o melhor perfume francês... e gastamos horas procurando a lingerie mais adequada para estimular ainda mais os maravilhosos momentos que teremos... No dia D, o coração dispara, o corpo estremece, sedento de saudade daquele outro corpo que tanto te atrai... Você fecha os olhos e só de imaginar que daqui a poucos instantes vai estar com a criatura se arrepia de prazer, sorri sozinha, canta na janela e dá bom-dia para aquela vizinha chata que nunca segura a porta pra você! Mas isso tudo é bobagem! O melhor é você engolir para não se aborrecer, e aceitar as idas dele ao futebol de sexta, senão vai ser problema... agüentar aquela barba malfeita no domingo porque o coitado tem alergia, ouvir toda noite aquele ronco desagradável que a faz empurrá-lo para que ele pare e você consiga dormir um pouquinho... Em todo fim de mês ouvir aquela ladainha sobre economia, valor do dinheiro e como gastá-lo, como se você fosse uma idiota analfabeta... enfim... a melhor coisa que existe é ter alguém que diga o que e onde você deve vestir alguma roupa, como você deve se comportar... é tão gratificante! Paixão! Agh... Pra que eu vou querer me sentir sedutora e seduzida! Por que cargas d´água eu preciso me sentir a melhor e mais gostosa mulher do mundo! Como suportar aquele olhar Dele, descendo o seu corpo, lentamente, e a cada centímetro ver o seu sorriso se ampliando de prazer com o que vê. E no final da olhada, ouvir daquela boca maravilhosa que você é a mulher mais gostosa do mundo e Ele te adora! Que bobagem! Pra quê! Receber um telegrama animado em seu trabalho com um cara vestido de Eros, declamando palavras que são conhecidas suas na frente de todo mundo! Todos vão saber que alguém te ama! Que absurdo! Que breguice! O grande lance é o Amor. Chegar num restaurante para jantar e na maioria das vezes não trocar nem uma palavra com seu companheiro... já falaram tudo!... Ficar observando as pessoas do restaurante é o hobby principal, como se estivessem sozinhos, falar diretamente com o garçom e não ter o direito sequer de mudar de opção! Tudo absolutamente previsível! Tudo como sempre. Chatamente monótono.
Por que será que ainda estou apaixonada!... Sabe que
eu não sei? |
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Fernanda Fernandes Mesquita |