Como poderia imaginar que estaria diante de você?

Essa é uma pergunta que jamais terá uma resposta aceitável.

Na verdade, nem busco resposta a isso. Busco dentro de mim o equilíbrio que preciso, para aproveitar cada segundo, cada minuto, tentando de forma quase que desesperada usufruir tudo que possa.

O fato é que você está na minha frente, palpável.

Você veio da forma que determinei.

Seu vestido negro até o meio das coxas.

Seus seios preenchendo um decote generoso.

Cabelos soltos, boca sem batom.

Pernas maravilhosas empinadas por sandálias altas.

Seus pêlos aveludando a pele.

Sorvia cada centímetro de seu corpo, cada detalhe de sua silhueta.
Tentava registrar em minha retina aquela figura de mulher.

Nosso encontro, na verdade um reencontro, se deu por acaso, mas que acaso pode ser se o destino conspirou?

Nem a distância que nos separou por muito tempo, nem os problemas inerentes da falta de contato foram capazes de evitar esse dia.

Você ajoelhou-se a minha frente.

Levantou seu rosto com a boca entre aberta.

E esperou.

Esperou não só um movimento, mas uma celebração.

O ápice de um relacionamento, dito à margem de todos os tipos de relacionamentos entre um homem e uma mulher.

Causa de espanto e rejeição por uns, ou curiosidade e paixão para outros.

Segurei seu belo rosto.

Sua pele suave e delicada.

Meus dedos deslizaram por todo o contorno dele.

Minhas mãos passaram para sua nuca segurando seus cabelos como crina, tendo a certeza de que seu rosto não escaparia de sua posição.

A mente prega peças.

Meus pensamentos estavam sem ordem, sem uma direção correta.

Sentia somente uma parte do meu corpo.

O calor úmido que envolvia minha pele, a sensação de frio e calor dada pela ausência ritmada do interior da sua boca só aumentavam ainda mais a confusão de imagens e sensações que invadiam a minha cabeça.

Você estava ali pra servir.

Sim, servir.

Ser submissa aos meus desejos.

Quem pode entender o que é ter controle físico e mental sobre outro, a ponto de estar acima dos desejos e vontades de quem serve?

Só quem já viveu isso.

Sou teu Senhor. Sou teu Dono.

Você sabe disso. Você deseja isso. Nasceu pra servir um só homem.

Para dar a ele o que ele desejar, o que ele precisar.

Será minha cadela, minha puta, será tudo o que me der prazer.

Puxo sua crina, separando seu interior úmido da minha pele.

Levanto seu corpo sem oposição.

Agarro seu vestido lindo com as mãos.

Arranco! Rasgando o tecido como papel.

Exijo ver seu corpo.

Exijo vê-la sem proteção, sem pudor!

Desejo tomá-la de forma febril!

Quero invadi-la, usá-la até não ter mais forças!

Agarro seu corpo nu, sua bunda comprimida pelo meu corpo denuncia meu estado.

Digo palavras sem nexo, sem ordem.

Sua respiração aumenta, seus olhos se fecham, seus ouvidos escutam a minha lascívia.

Minhas mãos se fecham sobre a sua pele.

A dor a instiga, causa uma descarga de excitação que não pode controlar.

Sua pele já marcada pede, implora que seja marcada, que seja queimada pelo meu sadismo.

Sim! Sadismo esse que lhe causa medo, desejo, pânico, excitação, um misto de loucura e sanidade.

Você busca isso, sempre buscou!

Busca romper com sua educação com sua vida segura, com sua rotina social que impõe uma castração dos seus desejos.

Você precisa, implora para ser violada, manipulada como um objeto, sem imposições, sem reações exigidas por condutas ditas normais.

Sente seu corpo sendo tomado.

Seu interior invadido!

Sua pele queimando pelos impactos da mão daquele que lhe trás a realidade!

A sensação de estar viva!

Sua mente cria uma névoa. A mente registra somente as palavras, as sensações, sem trazê-las a uma realidade palpável.

Ouve seu nome de cadela, sente o prazer de pertencer a um homem que lhe deu o direito de ser você mesma.

A explosão do seu sexo em prazer lhe traz um torpor de alma.

Minha cabeça, como a sua, gira de forma intensa e só sinto o chão novamente quando encho você com toda a minha excitação, com toda a minha essência.

Exaurindo todas as minhas forças.

Nossa relação é algo ímpar, e poucos entenderiam.

Mas sermos entendidos não é nosso objetivo.
 
 

 
       

 

     


 

 

Ramirez, El Loco
Dominador, sádico.
Vive sua dualidade em bases concretas.
O sacramentado e o profano.
O prazer que vem pelo normal e pela loucura.