O Mundo já possui mais de 6 bilhões de habitantes. Para efeito geográfico e didático, é dividido em continentes e países. Teoricamente, cada País é independente e livre para adotar as medidas que mais atendam aos seus interesses. Esta é a impressão que tentam nos passar nas escolas, livros, jornais e todo tipo de comunicação, ao longo de nossas vidas. Na verdade, o Mundo é dividido em seis grupos sociais: dominantes, dominadores, definidos, dominados, desesperados e desalmados. Vamos conhecer um pouco das características de cada uma destas classes.

 

1. Dominantes – constituída por quase 2 mil pessoas. São os donos do Mundo, pois são proprietários de todas as riquezas (convencionadas por seus antepassados) disponíveis. Só não possuem ânimo para lapidar suas riquezas. Por isso, precisam das classes inferiores para o trabalho pesado e sujo. Por meio de barganhas, exercem o Poder sobre as demais pessoas, devidamente doutrinadas ao longo de gerações a acreditarem que esse é o processo de vida que as farão felizes. Patrocinam diversas linhas religiosas e filosóficas, que colocam em moda quando se fazem necessárias. Os senhores da Terra sabem explorar bem a vaidade e a ganância dos pobres de espírito. Criaram um mecanismo de controle de tal forma que não surja nenhum novo líder autêntico, com idéias tolas sobre liberdade e igualdade. Quando tal elemento desponta, seja de que classe for, tentam trazê-lo para uma escala acima, oferecendo-lhe algumas mordomias. Se o sujeito for intransigente, armam alguma situação para desmoralizá-lo ou arranjam um acidente aéreo ou outro qualquer, para sumir com o mesmo. Esses elementos definem os rumos de nossas vidas. Possuem a percepção adequada para vislumbrar algum tipo (ainda que leve) de perigo que possa colocar em risco suas posições no Planeta. Se necessário, fabricam uma guerra em grande escala para salvar seus interesses (ou mesmo movimentar altas cifras). Conforme o caso, apelidam o holocausto de fatalidade (habilmente, massificam as populações, determinando quem foram os vilões e heróis do passado, nos quais devemos nos espelhar ao longo de nossas vidas, para servi-los sempre com um sorriso nos lábios). Depois colocam a culpa na cultura de um determinado Povo para explicar os tempos de sofrimento que seus subalternos terão de suportar. Divertem-se jogando xadrez, onde o tabuleiro é a Terra e o resto da população representa as peças do jogo. São bem organizados em grupos que controlam os elementos que definiram como básico para a existência dos demais, tais como: combustíveis, comunicações, transportes, diversões, minerais e outros supérfluos que nunca foram obstáculos para a existência da Humanidade nos primórdios. Jamais exercem cargos públicos. Eventualmente aparecem em revistas por terem praticado alguma boa ação em prol de alguns necessitados, gerados por alguma experiência atômica patrocinadas pelas raposas que agora oferecem alimentos e cobertas às suas cobaias. Não possuem residência fixa. Possuem várias propriedades em volta do Globo, iates e aviões, para se mudarem junto com as estações do ano. Controlam as taxas mundiais de juros bem como as taxas cambiais, regulando importações e exportações entre as nações, objetivando a manutenção ou derrubada de algum governo que repentinamente se achou em condições de enfrentá-los. Essa classe é popularmente conhecida como forças ocultas.

 

2. Dominadores – parcela constituída por 80 mil a 100 mil elementos. São os que se tornam grandes personalidades públicas em seus países, exercendo funções de: Presidente, Vice, Aspone, Deputados, Governadores, Senadores, Ministros, Presidentes de Estatais e até mesmo Ditadores, se assim for conveniente aos Dominantes (por falha no processo de lavagem cerebral, alguns países não se subjugam de imediato às ilusões de possuírem bens materiais – isso obriga a adoção de medidas mais enérgicas para dominá-los. Quando calmos e devidamente instruídos, são libertados por um grande patriota fabricado, que a seguir é eleito como Presidente da nova nação livre). Ou então, os ditadores são mantidos para substituírem manchetes garrafais em jornais quando algum escândalo vier à tona por engano. A função dessa classe é conduzir os elementos sob sua tutela a seguirem os caminhos definidos pelos Dominantes. Eventualmente, são guindados à classe superior, depois de vinte ou trinta anos de bons serviços prestados ou pelo fato de um herdeiro seu se casar com algum elemento da classe acima. São os que escrevem as Leis (rascunhadas pelos Dominantes) que deverão ser obedecidas pelos habitantes de suas regiões (mas não pelos elaboradores, que adquirem imunidades). São os que assinam os documentos (lícitos ou não). Sabem que um dia poderão ser sacrificados (moral ou fisicamente) se a situação ficar inconveniente aos seus superiores. Não contestam as determinações da classe acima. Se for preciso, vendem suas almas para se manterem nas boas graças de seus superiores. Alguns não se preocupam em esconder seus espíritos carrascos atrás de uma bela máscara de bom pastor.

 

3. Definidos – são os milhares de elementos que ocupam os escalões de governo. Nesse universo também vivem os donos de empresas de grande porte, fazendas médias, algumas indústrias, firmas comerciais, bancos, empresas de ônibus, segurança, alimentação, postos de comandos militares e entidades do gênero. Alguns possuem parentes na classe acima ou se tornaram elementos de alta confiança por parte de quem permitiu a eles ter um padrão razoável de vida (regularmente esses elementos são lembrados dessa bondade por parte de seus protetores). Ficam encarregados de conviver no meio da plebe, sempre atentos a qualquer situação que possa incomodar às classes superiores. Precisam ser criativos no sentido de inventar idéias que façam a classe inferior trabalhar para as classes acima, na ilusão de que estão melhorando sua qualidade de vida. Eventualmente, um entre 10 milhões consegue tal objetivo (devidamente armado por mentores), para reforçar a propaganda de que tal fato pode acontecer com todos que se esforcem (e que não enxergam a pirâmide de parasitas que sustentam com seu suor e sangue ao longo de suas vidas).

São encarregados de inventar grandes mecanismos de arrecadação de valores, tipo: loterias, 0900, copa mundial de qualquer esporte e similares.

 

4. Dominados – parcela formada por 75% da população. Dentro desse universo, reside a verdadeira força de trabalho (inclusive jovens que deveriam estar se preparando melhor, mas são pressionados pela miséria a se tornarem sofredores mais cedo em troca de migalhas). Foram bem doutrinados e se contentam em trabalhar por baixos salários, desde que tenham, à sua disposição, poucas regalias. No caso dos latinos, bastam os seguintes itens: futebol, carnaval, cerveja, praia e novela de TV. Foram educados para a competição selvagem, apelidada de Democracia econômica pelos Dominantes (aboliram a escravidão física há dezenas de anos, pois nesse sistema, tinham de efetuar altos gastos para manter a estrutura de aprisionamento). Tal situação os faz esquecer as atitudes básicas de civilidade e cidadania. Passaram a achar normal prejudicar um segmento da pobre população, desde que a ação tomada seja benéfica para um grupo maior, ou seja, aumento de mordomia para as classes superiores. Uma grande parte dessa classe já beira o nível dos desesperados. Não reclamam nem agem em defesa de seus direitos, pois são doutrinados a imaginar que poderão mudar o rumo de suas vidas com algum esforço (ou seja, fazer o papel de lacaios em silêncio) e dentro de alguns anos, se transformar em vitoriosos empresários da Sociedade. Vivem num estado de conformismo e letargia, numa analogia com a síndrome do sapo fervido. Se um elemento desse nível se destaca em defesa dos interesses da alta classe, tem 90% de chances de passar a integrar o time dos Definidos. Em caso de falhas sucessivas, certamente será jogado na vala dos Desesperados.

 

5. Desesperados – turma composta pelo que sobrou. Seus elementos são os que exercem as atividades de pior remuneração, ficam desempregados por enormes períodos, tornam-se mendigos, ratos de praia, punguistas, estelionatários, traficantes e coisas piores. Não possuem nenhuma chance de melhorar sua forma de sobreviver. São mantidos vivos para que os integrantes da classe de Dominados pensem que suas vidas são razoáveis, pois existem outros em pior situação, na qual não desejam mergulhar (assim não se empenham em se rebelar em defesa de seus direitos a uma existência melhor e permitem que os parasitas da humanidade continuem sugando suas forças lentamente).

 

6. Desalmados – classe composta por elementos desajustados, normalmente oriundos da classe de desesperados (mas existem alguns poucos das demais). Vivem para fazer o mal por prazer. Regularmente, as três primeiras classes se aproveitam dessa anomalia e “contratam” seus serviços para afastar desafetos de seus caminhos. Quando estão de “folga”, arquitetam ações prejudiciais às pessoas que eventualmente contrariem seus desejos. Apesar de serem poucos, conseguem resultados em suas investidas, pois adquirem armas com certa facilidade, contam com os fatores de surpresa e anonimato e são “protegidos” por advogados pagos por quem tem interesse em mantê-los na ativa.

 

A tendência de mudar tal quadro é remota, pois a estrutura no momento está forte. A única chance é o fortalecimento da 7ª classe, que alguns acreditam ter sido exterminada, mas ainda possui alguns adeptos espalhados pelo Mundo. É a classe dos Defensores.
 
 

 
       

 

     


 

 

Haroldo Pereira Barboza
Autor do livro Brinque e cresça feliz (Editora Litteris – Janeiro/2003), é formado em Matemática, trabalhou em Informática e escreve sobre temas diversos (política, humorismo, esporte, comportamento, ficção científica e dramas) quando não está jogando bocha, sinuca ou xadrez. Nascido em 21/07/45. Casado com Irene dos olhos verdes. O filho Marcelo também segue a Matemática. Tem mais de 18 trabalhos premiados (3 medalhas de ouro) e publicados em 8 antologias desde 1997, além de 35 artigos publicados na imprensa e 150 matérias expostas em sites culturais. É membro da UBQ, Suipa, Tijuca Tênis Clube e Fazenda Clube Marapendi.