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O centro de São Paulo prima pela quantidade de sebos, muitos até com
filiais. De onde surgem tantos livros? Em razão da morte de donos de
bibliotecas, a procura de espaços e a crise econômica? Devem ser inúmeras
as razões. Como surgem, os sebos desaparecem, fazendo surgir novos.
Todavia, um chama a atenção. O sebo Ornabi, na esquina da rua Quintino
Bocaiúva com a rua Benjamin Constant. Repleto de estantes e bons livros,
assistiu o sebo às profundas alterações do centro paulistano. A começar
pelo próprio nome. Originalmente, era uma livraria, a Ipiranga, por onde
passaram figuras ilustres, como Monteiro Lobato que para lá se dirigia em
todos os finais da tarde, conferindo os títulos das prateleiras. O
proprietário, desde 1945, Luís, conta com satisfação sobre sua chegada em
São Paulo, em agosto de 1939. Logo após desembarcar em Santos, vindo de
Portugal, rumou para São Paulo, tendo como referência apenas o nome de um
patrício, Sr. Vieira, o qual veio a encontrar, sem querer, no mesmo dia ao
passar pela rua Riachuelo. Vieira era proprietário da Livraria Lusitânia,
onde o Sr. Luís, então com 21 anos, foi iniciado no comércio de livros. O
Sebo Ornabi chegou a ter mais de 400 mil títulos, abrigando as salas
Gutenberg – a primeira delas onde havia uma encadernadora – Santo
Agostinho, Eclética, Platão, Mário de Andrade, Rui Barbosa, Fernando
Pessoa, Euclides da Cunha, Luiz de Camões, onde os livros eram
distribuídos por assunto. Como o centro de São Paulo, o sebo Ornabi também
mudou. Hoje seu acervo conta com aproximadamente 100 mil títulos e das
antigas salas sobreviveram três, Rui Barbosa, Euclides da Cunha e Luiz de
Camões. Permanece a mesma figura cordial de seu Luís, com 86 anos de
idade. Jovial, não se cansa de atender os clientes, subindo e descendo
duas escadas em formato de caracol. O nome Ornabi substituiu o Ipiranga. E
não se trata de designação por referência a alguma pessoa famosa no mundo
das letras. Apenas a abreviatura da Organização Nacional de Bibliotecas,
um dos antigos ramos de atividade do sebo. |
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