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Fernando Carlos de Andrade
Como Fernando Carlos de Andrade, sou mercenário, tendo trocado o
jornalismo pela atividade de marchand de tableaux, que
abrasileirado quer dizer mercador de arte e não só de quadros, como
possa parecer. Mas, hematologicamente falando, corre-me nas veias o
sangue do Jornalismo. Daí, faço incursões, vez por outra, no Jornal
do Brasil, emitindo através de croniquetas minhas opiniões, que não
devem valer muito, pois nada recebo. Isso posto, sou carioca,
descendente direto de Julião Rangel, o Moço, capitão da conquista do
Rio de Janeiro e ajudante de Salvador Correa de Sá na fundação da
cidade, e nada indica que deixarei de ser, malgrado a violência já
existente àquela época por terem os índios devorado um meu
ascendente por afinidade, dito Bispo Sardinha, naufragado nas águas
da Bahia. Ora, reportando-me ao naufrágio, como poderiam os índios
terem devorado o Sardinha senão pela pesca? Portanto, crime mal
elucidado, como de resto o são os cometidos pelos colarinhos
brancos, já que pretos, bem sabemos, são devidamente justiçados.
Já como Antero do Quintal, honra-me ter sido encaixotado, esperando,
contudo, enterrar o Antero no quintal e fazer do sepultamento a
minha ressurreição como Fernando Carlos de Andrade, contista por
vezes aparceirado.
Para contradizer-me, coloco meu e-mail à disposição dos que
honestamente me achem um meliante das letras. |
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