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1
Ernesto
Che Guevara
A tua morte não pára
Tu andas aqui na América
Caudalosa, cadavérica
Andas em vilas e becos
Ainda ouvimos teus ecos
Andas Zapata ou Pancho
Na metrópole e no rancho
Andas Vladimir Herzog
Muito além de um morgue
Andas no Word Trade Center
Porque o império vil mente
2
Andas tua morte, Guevara
Porque a injustiça não sara
Andas em óleo, ou heroína
Em Caracas, ou na China
Andas que no Brasil, também
Do lucro impune é refém
Andas na tua bela ilha
E em Havana maravilha
Andas sendo a estrada
Como bandeira desfraldada
A tua morte já pertence
A quem o medo não vence
3
A tua morte, Che Guevara
É histórica, mas muito rara
Porque te temem os burgueses
Os podres poderes em revezes
A tua morte de bicicleta
Faz de cada sonhador, poeta
E andas em barco ou camisa
Em cantares de banzo ou brisa
Andas em pobres latinos
Quando vergam clandestinos
Andas como um lamento vivo
De todo hermano cativo
4
A tua morte, companheiro
Ainda causa um berreiro
Viras filme, viras balada
Em sierra madre semeada
A tua morte ainda caminha
Não de si mesma sozinha
Ela agora anda em bando
Como um sonho ousando
Um sonho que é a tua cara
De valente, Che Guevara
Somos todos teus companheiros
Além desses vis pardieiros
5
A sua morte, caro Che
Já nem mais lembra você
Lembra o escravo asiático
Lembra um operário enfático
Lembra um cortador de cana
Do Brasil ou de Havana
Lembra na América rica
Um esperança que vivifica
Porque foste médico, ainda
A tua ternura é infinda
A tua morte é um estandarte
Muito além da alma na arte
6
A tua morte, Che Guevara
É morte antiga, mas tão cara
E querem te matar, tentam tanto
Mas tua morte é teu canto
Que cantas nos continentes
Porque estás vivo, e sempre
Serás o herói da resistência
Um mártir por excelência
Porque companheiro, tu és
De poemas, de glórias, de pés
Assim és presente, companheiro
Tua vida: Estrela e Canteiro.
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