Em leve sopro de luz
você, menina, chegou!
De alegria e surpresa
tudo se iluminou...
Imensa satisfação
tomou-me conta dos olhos
quando viram a atenção
dos seus olhinhos curiosos!

E depois a descoberta:
já não era ilusão,
a menina existia
e brincando balbuciante
levou-me toda exultante
a mundos desconhecidos,
os dedinhos estendidos
rumo ao caminho dos sonhos...

Que coisa linda você,
beleza etérea, diáfana,
flutuando livremente,
face doce, cativante,
macio floco de luz...
Com a magia de sonhar
você, menina, conduz
à magia de viver
o doce encanto de amar!

Vem, minha linda criança
mostrar-me o mundo melhor,
na realidade abrir porta
e mostrar em liberdade
que você tem o poder
de encontrar a beleza
e de mostrar com certeza
o que existe e ainda não vi:
o amor que mora aqui!

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Caminhando vou ao encontro da Paz!
Caminhando vou para encontrar o amor!

O meu tempo onde estará,
em que noite se perdeu?
Posso subir a montanha
encontrar talvez a estrela
onde guardado ficou
aquele tempo infantil
e meu sonho juvenil.
Mas não!
O meu tempo está preso
com meu sonho se prendeu
em um fio invisível
no poste inexistente
de uma rua que não há!
Minha pipa de papel
com seu volteio irreal
no invisível se prendeu
ou talvez se perdeu.
Empreste-me a escada do sonho!
Posso galgar o invisível,
vou tentar...
Mas ajude a resgatar
esse desejo de ser feliz
no encontro em que vou
buscar a paz, no amor!

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Se você pudesse
cantar
a canção que se calou no peito.

Se você pudesse
encontrar
a ternura do olhar que não se turva.

Se você ousasse
sonhar,
a mente imersa em flocos de luar.

Se você quisesse
abraçar
a esperança escondida na janela.

Se você pudesse
soltar
o balanço que parou, cativo no ar...

Ah! Se você pudesse tudo isso
viria em seu barco de sonhos
sobre águas e distâncias,
remando em ondas do tempo,
e quando à margem chegasse
exclamaria exultante:
– Aqui estou!

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Está preso na memória
mas procuro no infinito
o laço, a rosa, o grito
o ser aflito que clama
qual luz trêmula da chama,
de um olhar na solidão,
do meu riso na amplidão!

Se o infinito, no tempo,
escorre as horas nos dedos,
há madrugadas e segredos
nos minutos frios, lentos,
escoando em pensamentos
qual nuvem solta ao vento
que com a tarde vem agora!

Mas a alegria amanhece
qual borboleta de sonho
e com ela a fantasia
da luz serena que pousa
na janela do meu mundo
e procura o eu profundo
na memória do infinito!

 
 

   
         

 

     


 

 

Magda Helena Gomes
É pedagoga em Minas. Escreve muito por dever de ofício, e suas obrigações com o magistério a põem em contato com textos de alunos em concursos de poesia, dos quais participa como julgadora. Somente agora, por sugestão de pessoa amiga, resolveu enviar a O Caixote alguns poemas que escreveu, o que fez mais como exercício de sensibilidade poética. É também pianista.