Não sou poeta,
Sou apenas um arquiteto
que projeta com as palavras
que faz de cada estilo,
uma figura de linguagem.
de cada acesso,
um artigo indefinido,
que pode levar a muitos lugares
ou para o salão principal
– o substantivo da casa.
Que faz da situação o contexto,
da planta baixa, os primeiros versos
do pavimento superior, os versos seguintes,
e da coberta, a conclusão.
Vejo em cada palavra um tijolo,
que estrutura toda a frase,
e modula a cadência do verso.
E o ornamento final
é como um adjetivo,
que pode ser essencial ou não,
mas o verbo
é o elemento principal,
que articula todos os ambientes
e distribui pelo espaço da casa
as funções de cada um:
a cozinha que tempera as emoções;
a sala de estar das frases alegres;
a sala de jantar, de expressões tão doces;
e a suíte principal – das palavras de amor.

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Serenas serenatas de amor
Desabrocham em fina flor
Pela voz angustiada do pesar
Que sente o místico impulso de cantar

As notas musicais da melodia
De belo amor e profunda sabedoria
Dos grandes mestres do passado glorioso
Que fazem da dura vida um fardo saboroso
Transformam cada imagem em belo hino
De cada cor a batida de um grande sino

A aurora do sol tem sua própria canção
Como a sonata da mais profunda oração
As nuvens se resvalam em grande orquestra
E fazem do céu um lugar de eterna festa

A chuva cai em momento de percussão
Como os martelos de um teclado em pronta ação
A música do rio relaxa a mente
Como o doce passar de um vento ardente

As pedras, o céu e o mar não são mudos
Nós é que nos fazemos de surdos
Por não querermos escutar
O som da natureza a ecoar

 
 

   
         
   
 

         
         
   

As dúvidas só trazem dor
Para quem foge do eterno amor
De não querer o saber do viver
Ou por não saber o que realmente quer ser

Por que fugimos da grande alegria
Alegando uma falsa hipocrisia
Que só nos faz civis amargurados
E por dentro humanos desfigurados

Pois nadar contra a correnteza
Só nos traz fracasso e grande aspereza
Pela felicidade que vai embora
E não tem dia pra voltar – nem hora

Nos tornamos reféns da amargura
E menos ainda possuímos a cura
De um coração que punge arrebatado
Pela alegria que do céu foi destronado

Ficamos à mercê da vida dura
Perdemos a beleza e a candura
Da vivente alma que fomos na infância
Tudo se foi pela perda de esperança
Mas tudo passa – tudo inverte
E seremos fortes a um pobre inerte.

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Cachoeiras de águas turbulentas
Descem pela cortina de pedras
E rochas escarpadas lamacentas,
O barulho das águas corredeiras
São um enlevo aos ouvidos mais sinceros
E um deleite para a alma displicente

Coloco meus pés sob a gélida cachoeira
E os ombros sob o peso da queda inteira
Das águas turbulentas mensageiras
Que, como mãos pesadas de pedreira
Massageiam o corpo inteiro
Como fortes golpes de aríete
Que se atiram aos montões
Contra o peso de pesados paredões

Mas a dor é apenas ilusória
Sob os golpes de uma queda transitória
Os banhos da sagrada cachoeira
Não lavam apenas o corpo dormente
Mas a alma torna-se mais vivente
A alegria de viver surge mais aparente
E o semblante da face – revela-se mais contente

 
 

   
         
   
 

         
         
   

Que o mundo seja como o céu estrelado de boas novas para toda a humanidade.
Que os povos sejam como as aves de uma revoada que mudam de direção de acordo com o impulso de apenas uma delas.
Que a paz selada entre os homens seja como o fio que une todas as contas de um mesmo destino.
Que a Terra seja vista não apenas como um novo lar, mas também como um ser vivo dotado de consciência e que acolhe seus filhos como uma mãe carinhosa.
Que o céu se abra para aqueles que o reverenciam como o teto de sua grande casa.
Que o Sol brilhe de modo mais intenso para as pessoas de coração iluminado.
Que a água seja abundante para todos aqueles que a apreciam como dádiva da natureza.
E, finalmente, que o seu aniversário seja como o marco de uma nova vida.
Pois cada dia é o início de uma grande jornada.
E uma vez por ano essa aventura é revigorada.
A cada passo que damos, nos tornamos uma soma a mais neste mundo...
... multiplicamos nossas esperanças...
... E elevamos ao quadrado todos os nossos objetivos alcançados.
Cada respiração nossa é o alento de uma vida que continua.
Cada batida do coração é o impulso de um motor que aviva nossa máquina sagrada.
Cada pensamento é o sonho de uma vida inteira.
Cada sentimento é a expressão de uma centelha dourada.
E cada ação, uma reverência que damos à vida e uma gratidão pelo que dela desfrutamos.

 
 

   
         

 

     


 

 

Pedro Ernesto Gonçalves Damasceno
Natural de Fortaleza, Ceará, está se graduando em arquitetura e urbanismo pela UFC. Já estudou ciências da computação na UECE, mas acabou desistindo por questão de incompatibilidade com a área. É desenhista desde criança e já participou de alguns concursos de desenho em sua tenra infância, obtendo boas colocações. Ocasionalmente faz pinturas a óleo, mas tem consciência de que precisa aprimorar muito nessa forma de expressão artística. Há alguns anos vem descobrindo alguns pendores para criação literária, principalmente poesias, pelas quais espera amadurecer tanto na forma poética, quanto na maneira de expressar suas idéias e sentimentos.