Amizade


No traço
Um correr
Um elo formado.
 

 
 

 

Angústia


Bocas de batom
Unhas de cor
Rápido agito
Sete e meio quebrado
No meio do tablado.
 

 
         
 

 

 

Beleza


Delgada lâmina
Tão lânguida!
Essencial água
Tão vasta!
Lâmina d'água.
 

 

 

 

Ciúme


Na caixa de sapato
Fechada e escura
Encontra-se um pássaro.
Aflito se bate
Quer ser notado.
 

 
         
 

 

 

Desejo


Insufla de quereres
A parreira verde
Cores tênues descansadas
Sombra fresca estendida
Sobre a terra
Latejante de prazeres.
 

 

 

 

Esperança


Do fino fio de doce
Que se consome pelo vento
A brancura se desfaz.
Se refaz sempre sempre
Em suave algodão tecido
Linha branca
Sempre algodão doce.
 

 
         
 

 

 

Ilusão


Casca fina/dura
Gema e clara dentro
Quem afirma?
 

 

 

 

Liberdade


No invólucro nacarado
De matizes de madrepérola
Repousa a ostra em sossego
Livre de bocas avaras.
 

 
         
 
 
 

Mágoa


Mágoa é água
Que molha
Que passa
           Corre como um rio
           E pode voltar
Mágoa é nódoa d’água
Que mancha
Que passa
           Evapora com o ar
           Pode voltar com o vento
Mágoa é água derramada.
 

 
 
 

Sexo


Areia mole
Corpo mole
Pés que penetram
As entranhas da areia.
No corpo a moleza
Da areia molhada
Ai que beleza!
 

 
         
 

 

Solidão


À espera de um garfo
Que possa conduzí-la do prato à boca
Repousa a folha de alface
Sem vinagre, sal e limão.
 

 

 

Adriana 16.03.2002

 

 

 

     


 

 

Adriana Gragnani
Paulistana, ativista da cidadania.
Uma assumida mulher da net.