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Um bolo de fubá é um bolo de fubá. Melhor: é lembrança de prosa na cozinha, de café quente, de festa caipira (que não me ouça a Danuza). Um bolo de fubá classifica a humanidade em duas espécies – os que gostam com erva-doce e os que gostam sem erva-doce. Assim como Marlene ou Emilinha, Brahma ou Antarctica, sabem? Tem quem goste com coco ralado; tem quem arrisque umas gotas de (argh) baunilha; uns preferem ainda quente; amanhecido, outros. Não tem coisa que faça mais bonito numa sala de bate-papo ao cair da tarde do que você dizer "Vou ali bater um bolo de fubá bem rapidinho". Seu reservado se enche de pedidos de casamento e você tem que passar o rodinho na baba que escorreu pelo chão. E era até mentira sua, mas uma mentira generosa, pois mobilizou todas as lembranças boas de cada nico e cada nica da sala de chat.
Tão vendo? Foi só falar em bolo de fubá e já me
perdi na prosa, aqui. O "causo" de hoje é um bolo de fubá salgado, receita
de minha avó paterna. Nem adianta pensar que vai ficar igual ao dela. Ah,
não fica, mesmo. Eu descobri que me faltam dois ingredientes básicos –
fogão a lenha e uma assadeira muito, mas muito velha. Em todo caso, pra
quem nunca experimentou o original, vale a receita. Só não vale resolver
fazer um "apigreide" e colocar mussarela de búfala e tomate seco, que isto
aqui não é receita de emergente.
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Lá vai: |
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Teresa Melo |