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Bárbara. Semanas a fio e a sensação de que o telefone tocaria; ouviria mais uma vez o som da carícia de sua voz apressada como sempre foi. De todas as vezes que o telefone tocou, batucava meu coração entre artérias e veias no resplendor de esperança de sua voz. Em todas elas enganei-me. Os cantos da minha casa estão repletos daquelas antigas coisas nossas; presentes sem valor econômico algum. Dados a mim, por você. São coisas quietas, coisas que um dia foram nossas, mas hoje, solitárias me olham entre os movimentos do meu dia. A noite, ah, noite! Barbaramente noite! Desenhava em nanquim os traços daquilo que você me contava ser as mil e uma noites. Das Arábias. Noites de deserto. Eu ouvia, feliz da vida, suas histórias árabes; os sensacionais desertos de lua. O tempo, absolutamente implacável, mostrou na verdade o deserto de solidão das coisas que nunca cativamos. E eu desenhava. E você me contava. Hoje meus desenhos estão amarelados e seus contos ressecados por uma solidão que nos separa. A solidão das nossas coisas nos separa. Para vencer a solidão vazia das nossas coisas, abri uma das gavetas e munido com meu antigo nanquim troquei o desenho gráfico da mão segura pela força caudalosa das palavras que aprendi com você. Rompi, com isto, o dique das minhas palavras. Deságuo.
Alfredo. |
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Carlos Alberto Francovig Filho |