Estava ali. Ele estava ali. Batia com ele no clitóris avantajado e aquela mulher segurava seus joelhos, como um frango assado. Ia dando minhas pauladas e ela ia gemendo. Seu rosto era lindo, seu corpo... uma delícia. Conforme ia batendo. Ela ficava mais molhada. Cada vez mais. Dei um tempo com o cacete e desci para tomar um pouco. Lambia tudo e enfiava um dedo no cuzinho dela. O cheiro não era dos melhores, então desisti de respirar com o nariz. Comecei a enfiar dois dedos no buraquinho dela, ela estava gostando. Parecia uma mina de água. Começaram as contrações, ela ia gozar, subi rápido e enfiei o pau lá dentro. Escorregou bem. Ela gritava e segurava os joelhos. Aqueles peitos balançando estavam me dando tesão e eu tive que me segurar para não gozar. Ela me olhava com aquela cara de brava, estava furiosa. Gritava.

– Porra, vira de costas – pedi.

Ela virou e deitou.

– Não, arrebita.

Ela subiu e ficou de quatro. O olhinho mágico dela deu uma piscadinha e eu o toquei. Meti na xota e fiz forte, ela gritava e pedia mais. Novas contrações, ela ia gozar de novo. Ela estava gozando. Tirei o pau e cuspi na mão, espalhei nele e no buraquinho. Ela não disse “não” e eu comecei a enfiar. Com jeitinho, bem gostoso. Ia entrando e saindo. Ela só respirava mais forte e apertava o travesseiro. Puta que o pariu! Que tesão! Fui indo um pouco mais forte. O telefone começou a tocar. Era o dela. Namorado? Marido? Pai? Mãe? Chefe? Engano? Foda-se, era eu quem estava lá. Ela nem se mexeu para atender. Ele tocava e eu tocava lá dentro, bem nos fundos dela. Cada vez mais forte.

– Você gosta? – disse baixinho.

– Aiaiiiii faz assim – ela disse.

– Aiiii haa haaa – soltei tudo lá dentro.

Nos beijamos e ela foi ao banheiro. Virei para o lado e me limpei no lençol dela. Ela saiu e eu entrei no banheiro. Lavei com água e sabão e dei uma mijada. Fui até a geladeira, abri uma cerveja, acendi um cigarro e voltei para a cama.

Tudo bom, tudo certo. Não queria mais nada. Era um rei.
 
 
 

 
       
     
 

 

 
       
   

Preciso de um cigarro. Certo. Resolvido. 23 de novembro começou com duzentos e oitenta e seis gramas de coração de galinha fritos em manteiga com alho e duas latas de cerveja, as quais não esperei gelar direito... A idéia tomou corpo após uns goles de Dreher que acabei de abrir. Garanto que os dias serão tão difíceis quanto os outros, mas algumas doses de mentiras e sarcasmo despertam vontade de tomar banho e limpar a poeira cinza dos escapamentos e cinzas de cigarro que cobrem nossos corpos urbanos. Durante as noites vejo sorrisos, durante o dia eu sonho. Sempre me encosto em bares pensando no quanto de dinheiro deixei de ganhar hoje. Imagino o quanto poderia ser pior para minha vida ter esse dinheiro. Lembro da minha mãe que precisa desse dinheiro. Quem precisa de alguém? (Iriam levantar muitas mãos.) Quem precisa de dinheiro? (Levantariam o dobro de mãos.) A verdade é que todos nós precisamos. De dinheiro e de alguém sincero ao lado, todos nós nunca estamos satisfeitos com o que temos. Sempre buscamos mais, tentando fazer algo fora do ciclo. Algo linear. Poucas vezes lembramos do próximo e preferimos nossos umbigos mal lavados e peludos. Procuramos alguém que nos diga o quanto nos ama mas não pensamos que isso é a expressão do sentimento, isso vira uma massagem no ego. Não pretendo mostrar nada além do conhecido. Pretendo apenas relatar histórias... estórias.

Que coisa boa. Estou tão feliz! Não agüento! Ouço essas palavras constantemente de mulheres com cachorros na rua, de mulheres largadas por maridos, de mulheres felizes, de mulheres tristes, mas nunca de homens.

Durante alguns meses, publiquei esses textos na internet e recebia uns e-mails muito estranhos. Diziam-me coisas duras, tentando, de alguma forma, parar meu processo. Eram pessoas que pouco ligavam para o conteúdo e não podiam enxergar um palmo à frente do nariz. Em nenhum momento tive a intenção de ofender alguém. Nunca quis segregar porra nenhuma e usei minhas personagens de uma maneira natural. Mostro apenas o mundo e a maioria dos textos são realmente vividos.

Obrigado, mulheres.

 

*Contos... pensamentos meus e de outros autores... mentiras e verdades.
 

 
 

 
       
     
     
 

 
       
       
   

Nunca fomos apresentados corretamente. Nas horas que eu durmo o outro fica acordado. É quem eu vejo nos sonhos. Quando eu estou acordado, ele me vê nos sonhos. A insônia é o produto de uma noite de sono muito boa do outro. Quem escreve é o outro e quando eu acordo, costumo deparar-me com pilhas de papel higiênico escrito a mão... são os contos de quem eu vejo mas nunca fui apresentado.
 
 
 

 
       
     
 

 
       
       
   

Na manhã de sábado, vovô acordou e já sabia seu destino. Café da manhã, pinga no bar, corrida de cavalos e depois iria embora para sempre. Já tinha arrumado sua mala e comprado uma passagem para Cheng Du, bacia vermelha, China. O vovô não sabia uma palavra em chinês ou cantonês ou sei lá que raio falam por lá. O vovô não queria mais ouvir ninguém. Queria ir para bem longe. Não agüentava mais a vovó nem o cachorro e seu neto tinha se tornado um homossexual viciado em drogas pesadas. O vovô estava cansado de toda esta merda chamada vida.

Após passar alguns minutos na cama pensando, levantou-se e caminhou para o banheiro. Parou na frente da privada para mijar e percebeu que seu pênis estava mais bonito e jovem. “Deve ser psicológico”, pensou. O vovô tinha 75 e faziam meses desde sua última ereção. Nessa manhã o vovô masturbou-se como um garoto de 18 e gozou um copo de leite. Quando foi escovar os dentes, viu seu rosto jovem. Vovô tinha a aparência de 18 novamente. Fez a barba e escovou seus dentes reais que substituíram as velhas dentaduras.

Durante o café a vovó não notou nada. Não disse uma palavra, nem sequer um costumeiro bom-dia. Ela nem o olhou. Ele comeu rápido e saiu de casa com sua mala sem falar nada. O sol estava quente e ele com calor. Sua blusa de lã não era mais necessária, pois ele perdeu o frio da velhice. Andou pela manhã de sábado... com muito sol... sem blusa de lã. Jogou seu guarda-chuva preto e velho na rua e tentou correr. Ele correu. Estava em êxtase. Uma garota passou patinando por ele e sorriu. O vovô virou a cabeça para ver o traseiro dela e ela ainda o olhava.

A parte da pinga vovô pulou. Foi para o parque do Ibirapuera. Tinha até às 21 horas para pegar o avião. Andou e observou as garotas, os cachorros, as árvores e o lago. Era tudo muito mais bonito e vivo. Cansado, sentou-se um pouco. Uma garota aproximou-se e sentou ao lado dele. Parecia sua mulher na época em que se conheceram. Conversaram e ele ficou surpreso com o nome dela: Anah. O nome da sua mulher. Vovô teve um dia maravilhoso ao lado de Anah. Ele se lembrava dos muitos momentos bons que passou ao lado dela.

“Na manhã de sábado o vovô não acordou. Teve um infarto durante o sono. Não sentiu nada. Ele repetiu meu nome algumas vezes, mas eu pensava que era um sonho”, disse a vovó chorando muito.
 
 
 

 
       
     
 

 
       
       
   

Quando Daniel estava fazendo provas para entrar na faculdade de filosofia, sua mãe estava muito feliz. Tinha preparado uma festa para o dia de sua aprovação. Todos acreditavam nele. Ele acreditava que poderia entrar, mas o que queria mesmo era trazer alguma alegria para as pessoas que conhecia, pois nunca havia dado uma bola dentro. Durante a vida este pobre diabo aprontou todas: cadeia... alguns casos de gravidez... brigas em bares... expulsões em escolas... e agora com 23 anos tentava entrar na faculdade. Todos achavam que ele era uma espécie de gênio ou sei lá o quê. As pessoas sempre acham que quem toma na bunda a vida inteira é gênio. Ele queria provar algo para si mesmo também.

Às vésperas da festa chega o resultado: reprovado. A decepção foi grande para todos que o olhavam agora com pena. Não existia nada que o irritasse mais que pena. No dia do resultado, Daniel arrumou uma mala e, depois que saiu do bar, por volta das 4 da manhã, colocou a mala nas costas e saiu andando. Em sua mochila, um livro do beat Kerouac. Durante o caminho, um senhor bêbado ao lado de um carro quebrado batia em sua esposa, berrando “culpa sua cadela”. Daniel aproximou-se e ofereceu ajuda, pedindo que parassem com a briga. O velho aceitou mas o carro não funcionou. Ao partir, o jovem ouviu os tapas recomeçarem. Após andar algum tempo, Daniel decidiu voltar para casa.

A segunda fuga foi semelhante, porém desta vez ele foi até a rodoviária e comprou uma passagem para Belo Horizonte. O local foi escolhido randomicamente, aleatoriamente. Com a passagem nas mãos, ele desistiu novamente e voltou para casa. Tinha uma namorada que não queria perder. Esse era o motivo: sua namorada Fernanda.

Os dias foram passando e chegou a festa. Foi a pior experiência na vida dele. Descobriu que sua irmã não passava de uma vagabunda e seus amigos uns sanguessugas (com poucas exceções). Daniel estava a ponto de explodir de alguma forma. O mestre beat continuava rodeando seus pensamentos e ele não parava de imaginar como seria viver em 1955 ao lado de Kerouac ou Cassady.

Uma pessoa tem que ser forte para não desistir ou forte para abandonar. O que precisa de mais coragem? A fuga sozinho para o nada ou enfrentar fatos que sabemos onde vão dar? Dois dias depois da festa cretina, uma nova esperança: um emprego. Daniel teria que ficar assistindo filmes o dia todo para selecionar cenas que seriam inspiração para idiotas publicitários. É claro que não aceitaram o cara lá. Daniel pensou “o problema será minha barba?”. Ele começava a pensar na hipótese de sua ex-namorada ter feito macumba para foder-lhe a vida.

Na volta da empreitada novamente nula, Daniel entrou em uma livraria. Muitos livros... todos caros. Procurou alguns dos seus autores prediletos como Gabriel Garcia Marques... Bukowski... Dosty... Leary... Nenhum, nem Bandeira ou Bilac... Acidentalmente encontrou Os vagabundos do Dharma. Leu quase trinta páginas lá mesmo e decidiu tentar roubar o livro, mas desistiu na última hora. Quem já tentou ler esse livro imagina como aquilo agiu na mente de Daniel, 23. Cada momento que passava ele fazia poesia. Sua mente não parava. Ele já escrevia há algum tempo mas agora decidiu que escreveria todo o tempo. Talvez arrume as malas mais algumas vezes na vida... mas enquanto tivesse sua namorada não fugiria para muito longe. Era aquela coisa de sexo louco, sabe? Libido. Química.

Todos os dias bebia como um cão.
 
 
 

 
       
     
 

 
       
       
   

O gerente da loja de conveniências tinha comprado uma raspadinha e ficou milionário. Partiu para ninguém sabe onde. O frentista do posto, seu amigo, morreu em um assalto. A garota do bar da frente não o olha mais. O que ele faria da vida? Iria continuar naquela merda de loja? Não agüentava mais os idiotas comprando cerveja às cinco da matina. Não agüentava mais porra nenhuma. Fred estava cansado da vida. Ele tinha comprado uma arma. Um revólver 45. Pagou-o com suas economias. Fred tinha um arma. Fred tinha um revólver e muito ódio dentro do seu coração solitário. Fred tinha uma 45 com cinco balas.

Ontem ele resolveu explodir. Por volta das três entrou um sujeito de terno. O sujeito deixou seu Galaxy abastecendo lá fora.

– Um Marlboro e esta cerveja. Quanto sai, garoto?

– Não “sai”, amigo.

– Quê?

– Não sai. Nem a cerveja nem o cigarro. Você só sai carregado.
Pow. Atirou na cara do cidadão, que caiu morto. Fui um só tiro. Pulou do balcão e saiu correndo pela rua. Tinha mais quatro balas. Tinha sua 45 e muito ódio dentro do coração.
 
 
 

 
       

 

     


 

 

Daniel Wiegel
Nasci em Bonn, Alemanha e vim para o Brasil com um ano e meio. Atualmente trabalho durante o dia e escrevo quando tenho tempo, ou seja, quando não estou trabalhando ou bebendo. Dificilmente faço mais de uma coisa por vez, porém o que escrevo é a junção de tudo. Nunca fui bom aluno e não completei faculdade alguma. Evito missas e acredito que não exista nada melhor que um par de belas pernas sob uma saia justa ou belos seios pulando fora do decote... É difícil ou quase impossível passar batido.