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Porque estamos erigindo Algum muro tão vulgar Com tijolos de silêncio Se ontem éramos animais.
Porque vivemos plantando Semáforos nos desertos Gravando o som do vento Após o ruído dos berros.
Porque amamos destruindo Alguma vida de dois nós Teatro de quatro paredes Cantando cantos de guerra.
Porque pranteamos a mítica Poesia de vendaval e areia O vinho tinto que tomamos Sob o sol e o sal da praia.
Porque detestamos música Silenciosa como o látego Que sopra este e sudoeste O que atamos e desatamos.
Porque quebramos as duras Portas de outrora e ontem Tudo é real e verdadeiro
Estou vivo e aqui estou só.
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Parece que já nada tenho a dizer-te desta minha vida livre das carnes, igual livro de 700 páginas coladas:
Carma, carma será esta dor e arde?
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Ver-te, ver-te, ver-te mais uma vez, O nome saudado para viver o caos. Ser, convenção, manta, mãos atadas.
Um pôr-do-sol pálido fim-de-tarde.
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Água doce derramada, a pele crua. Na noite fresca sob as juçareiras. O desenho hábil do teu corpo chão.
Fogo, vida, jorrando o manguezal.
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Quem se importa com a ruiva lua? Ali bebi a primeira gota feiticeira. Era desta alma, a alma do vulcão.
Eis aqui a paixão: o furor celestial...
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No mar não há distância em nós. Imagem, leve, difusa, conduz paz. Pensamento, muro, óxido, idéia.
Esperança, riso, rosto alegre, cor.
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Brilha o olhar que sonhou sóis. Traz um pouco de dor em mim. Sinto sem explicar quais razões.
Querer além aquilo que sonhei.
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Salomão Rovedo (1942) |