Eu amo

o poeta,

as palavras que gostaria que minha lira tocasse.

Eu amo o amor,

o sol que aquece a alma e o corpo,

o vento que despenteia meu cabelo,

a chuva que chove linda,

a tua ausência,

a minha saudade,

o teu carinho meigo

o sorriso das crianças,

a criança que não fui...

a alegria que não existe.

Queria eu todos tirassem as máscaras,

as fantasias falsas,

e chorassem muito

e compreendessem.

O amor tem que aparecer.

E vai ser lindo.

Todos vão amar,

ninguém vai ser só.

É preciso perder o medo.

O amor existe,

é preciso merecê-lo!
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Estou sozinha

não mais que sempre.

Quis me livrar da sensação da solidão,

saí, fui procurar gente,

comprar coisas como todo mundo.

A rua estava cheia,

pessoas e pessoas.

Ninguém me olhou, ninguém falou comigo.

Todos tinham que correr muito.

Todo mundo corre mesmo quando não é preciso.

Fiz compras também.

Foi engraçado,

não pretendia comprar nada.

Depois vi uma rosa coral na vitrina,

eu amei aquela rosa.

Ela não podia falar comigo,

amei-a assim mesmo.

Seus dias serão curtos,

o necessário para não virar rotina.

Ela nunca vai ser máquina,

será minha amiga pouco tempo.

Ela é linda e eu amo a beleza,

ela transmite tudo que contém o belo.

Sem palavras inúteis:

nunca me esquecerei da rosa coral.

Será minha companheira alguns dias,

me proporcionará beleza e poesia,

me dará amor e solidão.

Foi o momento mais lindo do meu hoje,

fui quase feliz!
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Quando tudo o que existe não basta,

eu busco você.

Na minha loucura,

meu desvario louco sem você.

Por esta vida afora,

meu meio-ser

em busca de você

nessa caminhada sem fim,

desse amor sem fio.

Encontro-o na minha loucura,

perco-o na realidade.

É muito triste o despertar!

Minhas mãos vazias, vazias,

minha vida vazia de você!
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Que sensação boa sentir que ainda estou viva

apesar de algo ter morrido la dentro:

a música, a arte e você.

Esperança de algo que espero,

algo que sinto renascer

como as flores que plantei sobre o seu túmulo.
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Não...

hoje não,

não quero pensar não

não quero fazer nada não,

amanhã, depois de amanhã,

hoje não,

não quero sentir não

nem amor não

nem solidão não,

hoje não,

não quero saber não,

não quero ser infeliz não,

não quero pensar não,

não quero não,

hoje não,

não quero nada não,

não quero ouvir não,

não me fale não,

hoje não,

não quero dançar não,

não quero invasão não,

não quero tormento não,

não não e não,

hoje não.

 

 
       

 

     


 

 

Solange Palatnik
Carioca, nascida no bairro da Tijuca, concluiu desenho e artes gráficas na Escola Nacional de Belas Artes do Brasil e Fonoaudiologia no Instituto Cultural Henry Dumont. Desde 1966 participa de exposições de pintura. Tem dois livros publicados mas diz que não é poeta, apenas escreve sobre sentimentos e espera ser compreendida. Julguem.